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Brasília

Cytotec falhou e a mãe hoje se diz aliviada e feliz

Arquivo Geral

09/07/2010 8h06

Carlos Carone
e Francisco Dutra
carone@jornaldebrasilia.com.br;
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

 

São muitas as histórias trágicas que envolvem o uso do Cytotec por mulheres grávidas que desejam interromper a gestação. No entanto, existem casos em que o aborto não ocorre, pelo fato do medicamento ser falso ou não fazer o efeito devido. Uma mulher, com quatro meses de gravidez vive, atualmente, a alegria de uma gravidez que quase foi interrompida.

 

Maria (nome fictício), 39 anos, conversou com a reportagem do Jornal de Brasília sobre sua experiência com o uso do Cytotec. A empregada doméstica, que mora em Taguatinga e tem dois filhos, um de 18 e outro de dez anos, contou que resolveu tentar o aborto por falta de condições financeiras para manter um terceiro filho e pelo medo da família. Além disso, temia a possível rejeição de seu companheiro, com quem  vive há cerca de um ano.

 

“Ele diz que quer a criança, mas não sei. Além disso, minha família não queria que eu tivesse engravidado. Estou sofrendo por isso”, conta Maria. A doméstica descobriu o Cytotec na conversa com uma amiga. Ao ouvir seu drama, a amiga disse que poderia ajudá-la. “Ela pegou meu telefone. No dia seguinte, me ligaram de um número confidencial. A pessoa não disse o nome, só falou se eu queria ser ajudada”, conta Maria.

 

Após o acerto pelo telefone, Maria foi buscar o “remédio” em um local ermo, próximo do Setor O. O preço cobrado pelas pílulas foi R$ 250. O negócio foi fechado com um rapaz jovem, que também não se identificou. Seguindo as orientações do vendedor, ela tomou o medicamento, em vão. Dias após usar o Cytotec, Maria se surpreendeu ao saber que a gravidez não havia sido interrompida.

 

A surpresa mudou a percepção de Maria. “Agora quero ter essa criança. Rezo para que o remédio não tenha causado nenhuma sequela para ela”, afirma. As condições da criança ainda são uma incógnita na vida de Maria, que, assim como milhares de mulheres, vive as dificuldades de uma gravidez não planejada.  

 

Leia mais na edição desta sexta-feira (9) do Jornal de Brasília.

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