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Brasília

Crime 113 Sul: advogado acusa delegada

Arquivo Geral

18/11/2011 7h23

Ana Paula Andreolla
ana.fernandes@jornaldebrasilia.com.br

No quarto dia de audiência de instrução do processo do triplo homicídio que ficou conhecido como crime da 113 Sul, o clima esquentou com uma testemunha vinda de Montalvânia (MG), trazendo na mala uma grave acusação contra a delegada que presidiu o inquérito na maior parte do tempo, Mabel Alves de Faria. A credibilidade da testemunha, no entanto, foi questionada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que apontou o fato de a testemunha ter sido condenada em duas instâncias por improbidade administrativa.

 

Foram necessários 40 minutos de pausa para que o juiz decidisse se Fabrício Falcão de Ornelas – que anteriormente foi advogado de um dos réus do processo, Paulo Cardoso Santana – pudesse servir de testemunha, uma vez que poderia haver um conflito de interesses. No final, o juiz decidiu que ele poderia relatar apenas a denúncia que anunciou ser portador.
 

“Quando o Paulo confessou o crime, me ligaram da delegacia, por volta das 19h, pedindo para que eu fosse para lá. Então, a delegada Mabel me pediu para que eu orientasse Paulo a apontar um mandante para o crime da 113 Sul”, afirmou o advogado, referindo-se ao fato de que a delegada em questão acusa a arquiteta Adriana Villela de ser a mandante do triplo homicídio que tirou a vida de seus pais, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, José Guilherme Villela, sua mulher, a advogada Maria Carvalho Mendes Villela, além da principal empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, mortos em 2009, com 73 facadas.

 

Quando a palavra passou para o Ministério Público, o promotor Maurício Miranda perguntou ao advogado se ele se lembrava de ter sido processado. Quando Falcão disse não se lembrar, o promotor, com a ficha da testemunha em mãos, informou que ele foi condenado em duas instâncias por improbidade administrativa, quando ele teria emitido um parecer falso em Montalvânia, e também respondia por lesão corporal contra o filho de um vereador. O promotor levantou dúvidas quanto à credibilidade da testemunha, que foi dispensada 15 minutos depois de iniciada a oitiva.

 

Contestação

Para o advogado de defesa de Adriana, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, os processos não desqualificam o advogado. “Ele foi ouvido no crivo do contraditório e a palavra dele vale tanto quanto a do promotor. Ver o Maurício Miranda nervoso é um sinal de que estamos indo muito bem”, provocou Kakay.

O promotor retrucou. “A palavra dele não vale tanto quanto a minha. Eu não tenho nenhum ato de improbidade administrativa. Se ele (Kakay) quiser se igualar ao cidadão, aí é com ele”, finalizou.

Foto: Minervino Júnior

Leia mais na edição desta sexta-feira (18) do Jornal de Brasília.

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