Luís Augusto Gomes
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Apolícia procura a mãe de um bebê abandonado com um cliente de uma lanchonete, na Rua da Ponte em São Sebastião. O menino, apesar de passar bem, ficou sob os cuidados da equipe médica do Hospital Regional da Asa Sul (Hras). Este foi o único lugar que acolheu a criança depois de uma longa peregrinação. O homem com quem foi deixado e policiais militares percorreram dois Conselhos Tutelares e duas delegacias sem conseguir abrigo para o menino, que no próximo dia 31 completará um ano de vida.
Apesar de já ter sido abandonado duas vezes pela mãe, o bebê não parece sofrer maus-tratos. Com a pela morena, cabelos lisos e sem qualquer marca no corpo, ele recebeu carinho de funcionários da pediatria e do berçário do hospital. Tornou-se o xodó dos servidores e chegou a receber, antes de ser identificado, o nome de João Paulo. “O estado de saúde geral dele é de uma criança bem cuidada”, disse a médica Enoy Santos, pediatra, oncohematologista e gerente de Diagnose e Terapia do Hras.
O destino inicial da criança será uma instituição de acolhimento. A medida protetiva de urgência foi proferida no início da noite de ontem pela Vara da Infância e da Juventude (VIJ). Um comissário de proteção iria ao hospital para levar o bebê. Para reaver a criança, o pai ou os avós terão de recorrer à Justiça.
Segundo o sargento Joelson Cerqueira Teles, do 21º Batalhão de Polícia Militar (São Sebastião), a peregrinação em busca de proteção para o bebê começou quando o mãe o deixou, na quinta-feira, com o instrutor de autoescola Joseney Pereira. Ele estava em uma lanchonete quando a mulher chegou com o filho nos braços e pediu dinheiro para comprar fralda.
Comovido, Pereira, que havia se encantado com o bebê, deu R$ 7. A mãe pediu para o instrutor segurar a criança e disse que voltaria logo. Ele esperou mais de seis horas e a mulher não apareceu. Sem saber o que fazer, o homem pediu ajuda no batalhão da PM da cidade. Com o apoio dos policiais, entrou em contato com instituições de proteção à criança.
O primeiro a ser procurado foi o Conselho Tutelar de São Sebastião, mas o órgão estava fechado. Seguiram para o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde funcionava o Touring, próximo à Rodoviária do Plano Piloto, mas não conseguiram atendimento. Em seguida, foram à Delegacia da Criança e do Adolescente DCA I), na entrequadra 204/205 Norte, registrar ocorrência de abandono. Os agentes não teriam aceitado, mas o delegado de plantão ouviu a conversa e autorizou o registro.
Era 1h e a criança continuava com os PMs, sem chorar. “Telefonamos para vários órgãos, mas não conseguimos ajuda”, disse o sargento Joelson Teles. Os policiais resolveram procurar o Hras, onde finalmente o bebê foi acolhido.
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