Vinícius Borba
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O projeto da Polícia Militar do DF de contratar vigilantes para atuar nos postos comunitários de segurança (PCSs) causa polêmica. O objetivo é permitir que os policias possam deixar estes locais para atender as ocorrências. Empresas de segurança privada apostam na ideia, mas especialistas apontam que a solução pode não surtir efeito e levar a mais dificuldades para as comunidades atendidas por estes postos. A opinião dos moradores está dividida.
A partir da contratação de empresas privadas para garantir a segurança patrimonial nos PCSs, os policiais, que até então estariam impossibilitados de sair do local, partiriam para o policiamento ostensivo, função primordial da instituição.
Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da Asa Sul, Saulo Santiago, a estada de vigilantes cuidando dos PCSs é uma perda. “Acompanhamos a implementação dos postos e temos muitos que dão bom exemplo de serviços prestados, quando dois ficam no local e outros dois dão patrulhamento. O que falta é efetivo policial para um serviço melhor em outras localidades onde isso não acontece. A presença do vigilante não resolve nada. Ele não tem poder de polícia e na hora que algo sério acontecer, como faremos?”, questiona Santiago.
O presidente do Conseg da Asa Sul avalia que já houve tentativas malsucedidas, como a terceirização do da Central Integrada de Atendimento e Despacho. “Terceirizaram e houve uma série de problemas. Agora ainda há dificuldades, mas há profissionais que são treinados para isso e eles têm uma responsabilidade diferenciada”, afirmou.
Custos
Para o presidente do Sindicato de Segurança Privada do Distrito Federal (Sindesp-DF), Irenaldo Pereira Lima, a ação pode ser a mais acertada, inclusive do ponto de vista dos custos. “Seria muito mais prático, diante das dificuldades de policiamento pela falta de pessoal. Hoje, um policial militar fica de guarda de um patrimônio, função que um vigilante pode executar com facilidade. Muito mais importante é que ele possa sair para fazer sua função primordial”, defende Lima.
Pelo custo, seriam quatro vigilantes se revezando em uma escala de 12h/36h, custando, segundo Irenaldo média de R$ 13,5 mil para cada PCS por mês. “Cada PM parado ali por não poder sair tem salário-base de R$ 5 mil. Quatro já somam R$ 20 mil mês, sem executar sua função”, contabiliza.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da PMDF informou que o comando não poderia se manifestar sobre o projeto.