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Brasília

Conselho Tutelar vai apurar possível atuação de adultos no “Clube da Luta” no Lago Sul

Redação Jornal de Brasília

20/04/2026 5h57

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Material obtido pelo Jornal de Brasília

Gabriel Resende e Isabele Mendes
Redacao@grupojbr.com

O Conselho Tutelar do Distrito Federal vai apurar a possível participação ou incentivo de adultos em lutas clandestinas envolvendo adolescentes no chamado “Clube da Luta”, registrado no Lago Sul. A conselheira tutelar de Brasília I – Asa Sul, Natty Vieira, afirmou que o caso está sob acompanhamento e que podem ser aplicadas medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

As investigações sobre o episódio ainda caminham sem registro formal. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou, por meio da assessoria de comunicação, que não há ocorrência oficial cadastrada até o momento. Ainda assim, policiais da 10ª Delegacia estiveram no local após denúncias. Segundo informações apuradas pela reportagem, adolescentes entre 15 e 19 anos teriam se reunido no último dia 18 de abril para participar de lutas previamente combinadas pelas redes sociais, com cobrança de ingressos para lutadores e espectadores.

Uma moradora da região, que vive na rua há mais de 30 anos e preferiu não se identificar, relatou ter presenciado a ação policial. Segundo ela, cerca de dez adolescentes tentaram se esconder atrás de um ônibus ao perceber a chegada das viaturas.

De acordo com a apuração, o evento já estaria na terceira edição, com ingressos vendidos a R$ 30 para homens e R$ 25 para mulheres, vagas limitadas e previsão de duração de até cinco horas. Ao menos quatro lutas estavam confirmadas, com ingressos esgotados. A organização ocorria por meio de redes sociais e aplicativos de mensagem, como Instagram e WhatsApp, onde os jovens divulgavam informações físicas e suposta experiência em combate.

Em um dos grupos, que reunia mais de 800 participantes, um adolescente afirmava ser faixa azul e dizia ter saído “invicto” de brigas contra “cracudos e moradores de rua”, termos usados pelo próprio jovem. Uma fonte ouvida pela reportagem, sob condição de anonimato, afirmou tentar intervir para evitar que a situação evolua para casos mais graves.

Ainda nesta semana, um episódio semelhante foi registrado no Guará II, com jovens trocando agressões enquanto gritos de incentivo como “vai morrer” eram ouvidos por testemunhas, o que levanta o alerta para a repetição desse tipo de prática em diferentes regiões do DF.

Especialistas apontam riscos severos à saúde dos adolescentes envolvidos. O ortopedista Dr. Fabiano Cláudio alerta que o corpo nessa faixa etária ainda está em desenvolvimento, o que aumenta o risco de lesões como concussões, fraturas e traumas permanentes.

A lutadora profissional e professora de muay thai Vitória Aparecida Pires também reforça que o esporte exige acompanhamento rigoroso e estrutura adequada. Vice-campeã brasileira de boxe em 2023, ela destaca que treinos e competições oficiais contam com equipamentos de proteção, regras claras, árbitro e suporte médico. “Sem isso, o evento nem pode acontecer. Luta não é brincadeira”, pontua.

A conselheira Natty Vieira ainda chama atenção para o papel das redes sociais na disseminação desse tipo de comportamento. Segundo ela, o acesso precoce a conteúdos violentos pode contribuir para a naturalização da agressividade entre jovens, exigindo vigilância constante por parte de famílias, poder público e sociedade.

Entenda o caso

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Material obtido pelo Jornal de Brasília

Adolescentes entre 15 e 19 anos organizaram, por meio de redes sociais, um evento clandestino de lutas no Lago Sul. Revelado pelo Jornal de Brasília, os confrontos eram combinados previamente e contavam com venda de ingressos para participantes e público. O evento, que já estaria na terceira edição, ocorreu em uma casa desocupada.

Apesar da presença policial no local, não há registro formal da ocorrência até o momento. O Conselho Tutelar acompanha o caso e vai investigar possível envolvimento de adultos, enquanto especialistas alertam para os riscos físicos e sociais desse tipo de prática.

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