Uma pesquisa feita pela Universidade de Brasília (UnB) identificou 28 áreas suscetíveis a efeitos desastrosos de chuvas no Distrito Federal. Seis delas – o Recanto das Emas, website o Paranoá, visit this a Ceilândia, click Samambaia, a Vila Estrutural e as Colônias Agrícolas Vicente Pires e Samambaia – são as mais propensas a sofrer estragos durante o período chuvoso.
De acordo com a geógrafa Raquel Barreto, autora de dissertação de mestrado sobre o assunto, a causa dos desastres está na combinação de fatores físicos e sociais comuns a essas localidades. As casas são construídas de forma precária e em terrenos impróprios para habitação, onde falta infra-estrutura urbana e calçamento.
O fator de maior risco é o físico, uma vez que os locais analisados estão em regiões com relevo acidentado, como os vales dissecados (encostas) e as colinas. Raquel explica que nesses terrenos “a água desce com força e tende a arrastar o que estiver pela frente”.
RISCOS SOCIAIS
A declividade do terreno é determinante para a ocorrência de desabamentos, desmoronamentos, deslizamentos e erosões. Isso se torna ainda mais perigoso quando associado às dificuldades em fazer a água retornar para o solo. São problemas ocasionados por fatores físicos, mas que implicam em riscos sociais.
As localidades apontadas têm em comum o rápido crescimento sem planejamento. Sofrem com a falta de redes de captação de águas pluviais e com a obstrução de bocas de lobo – quando existentes – pelo lixo. O resultado são inundações e alagamentos.
A falta de áreas verdes e, consequentemente, da impermeabilização do solo agrava a situação. Normalmente, a chuva se infiltraria no solo através de áreas gramadas ou não pavimentadas, até chegar ao lençol freático. Com o excesso de pavimentação, o caminho é interrompido e a água não tem como chegar aos aquíferos.
De acordo com imagens de satélite utilizadas no estudo, os bairros mais ricos do Distrito Federal possuem maior quantidade de áreas verdes, enquanto os mais pobres são tomados por concreto e asfalto.
TERRENO IMPRÓPRIO
A principal preocupação de Raquel são as 21 áreas urbanas que estão em terrenos impróprios, entre elas Varjão, Fercal e São Sebastião. “Toda aquela área dos condomínios de São Sebastião, a reborda do Gama e do Lago Oeste, parte de Vicente Pires e da Ceilândia estão em encostas. Na Fercal, não deveria ter moradores”, diz.
De acordo com o estudo, as perspectivas para essas localidades são pouco animadoras, principalmente as mais pobres. Os problemas tendem a aumentar a cada ano em decorrência da ocupação de proximidades de cursos d’água, por onde passa a enxurrada.
A pesquisadora identificou lugares suscetíveis aos efeitos das chuvas, mas com menor risco de desastres se comparados aos demais. São eles: Riacho Fundo II, único que está fora da suscetibilidade física, e o Plano Piloto, incluindo Cruzeiro, Octogonal e Sudoeste. Embora o centro de Brasília encontre-se em terreno impróprio, registra danos de menor impacto, como a queda de árvores e alagamento de pistas. “No Plano Piloto cai uma árvore num carro ou alaga uma loja. Mas no Entorno, as conseqüências são bem piores, muitas construções são frágeis e as pessoas perdem suas casas, seus móveis”, diz Raquel.