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Brasília

Céu de Brasília: para que a beleza dure para sempre

Arquivo Geral

29/05/2013 8h46

Qual é o seu cartão-postal favorito de Brasília? Para o arquiteto Carlos Fernando de Moura Delphim, a resposta está na ponta da língua: o céu da cidade. O horizonte visto da capital é, de fato,   uma das características mais   exaltadas por turistas e moradores do DF. Tanto que Delphim tenta emplacar um projeto para torná-lo um  patrimônio natural do País.

 

Em 2007, foi apresentado um projeto pelo arquiteto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que também é coordenador da instituição. 

 

Há 25 anos, Brasília é tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade. O título  é concedido pela Unesco a monumentos ou espaços que tenham valor histórico, estético, científico ou arqueológico relevante. Entretanto, quanto ao céu,   o projeto ainda não decolou. Delphim  diz que ainda não recebeu uma posição oficial do Iphan. A intenção é proibir qualquer modificação urbana que comprometa a visão do horizonte, como construções muito altas.

 

“Encaminhei uma carta para o então presidente do Iphan e nunca soube se foi aberto um processo para levar a questão adiante. Penso que acharam a proposta meio mirabolante”, comenta. 

 

Andamento

 

Segundo a instituição, a carta seguiu para o Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização (Depam), para análise Com Portaria 127/2009, que estabelece a chancela da paisagem cultural brasileira, o objeto poderá vir a ser apreciado pelo Iphan.  

 

Para o arquiteto, já em 1979, a Unesco passou a se preocupar com o céu e a visão das estrelas, como uma forma de aprofundar questões relacionadas à astronomia e à conservação ambiental, sobretudo à poluição atmosférica e luminosa.

 

 “A Unesco debate o tema reserva de céu noturno como uma   possibilidade, por exemplo, de   turismo. Organiza encontros de especialistas que discutem   distinções entre  categorias material e imaterial, mutável e imutável, do patrimônio. O céu noturno representa um recurso   único e insubstituível, de valor inestimável para a humanidade”, defende.

 

Ele lembra que valor do céu sempre foi reconhecido pelas civilizações. “Já pensou se uma vez por ano, por menos um minuto,   as luzes fossem apagadas e todos contemplassem o céu? Certamente nossos corações e   almas se voltariam para questões mais elevadas do que a banalidade da moderna sociedade”, avalia Delphim.

 

 

Uma capital “celestial”

 

 

Apesar da paixão e da admiração pelo céu brasiliense, o arquiteto Carlos Delphim não é de Brasília. Ele é mineiro de Lavras, e diz que lá é também uma cidade de céus lindos, como os de Brasília. 

 

“Aqui, eu ficava meio deslocado, sem as referências urbanas que me são familiares: esquinas, ruas com um lado ensolarado e outro com sombras. Aqui não se pode dizer: ‘Vamos atravessar para pegar a sombra?’. Há sol por toda parte, não se pode caminhar nas ruas no meio de pessoas, nem há lugar para pedestre. As pessoas só andam de carro e só se concentram em shoppings”, observou o arquiteto.

 

Até que, em 2007, um dia, olhando para cima, ele descobriu uma nova Brasília, a “Brasília celestial”. “Que céus, que limpidez de atmosfera, que azul, que nuvens, que beleza de pôr do sol! Quanto mais se olha, mais se vê. Mesmo quando não há uma única nuvem, o céu daqui é deslumbrante”, conta. 

 

O encantamento foi tanto  que ele resolveu pesquisar mais sobre o assunto. “Você pode ver uma infinidade de pontinhos transparentes se movendo, cada vez mais rápidos, quanto mais tempo se olha. Para os hindus, esses pontinhos são a energia universal, mais forte e intensa pela manhã, mais esmaecida à tarde. Achei que em vez de priorizar a preservação do patrimônio pelo que é terrestre, deveríamos proteger primeiro a cúpula celeste e, em seguida, o que está sob ela”, justifica. 

 

Proteção

 

Para o autor do projeto, tornar o céu de Brasília   patrimônio trará para os brasilienses o dever de se cuidar melhor deste bem natural, inclusive, protegendo das poluições atmosféricas. 

 

“Muita gente – as pessoas mais sensíveis – já admira e cultua a beleza celestial da capital do País, mas há tantos que insistem em só olhar para baixo, buscando apenas o que é material. Acho que quem olha para o céu entende minha proposta. Quem só olha para baixo deve achar meio sem sentido”, resume Delphim, justificando o desejo de tornar seu projeto realidade. 

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