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Cai em 23,1% o total de lojas fechadas na Asa Sul

Números refletem retomada da economia após crise advinda da pandemia

Por Mayra Dias 30/06/2022 5h14
Loja Foto: Agência Brasil

“Lojas abertas significam mais empregos e renda”, afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), Sebastião Abritta. No DF, a Asa Sul tem hoje 492 lojas fechadas, o que é um número positivo quando comparado com o último ano. Em agosto de 2021, eram 640. A redução de 23,1% é atribuída ao novo estágio da economia do Distrito Federal em razão do avanço da vacinação, flexibilização de medidas contra a covid-19 e da reabertura de muitos comércios que paralisaram as atividades a partir de 2020 quando começou a pandemia.

A pesquisa foi feita pelo Sindivarejista e, na opinião do presidente da organização, hoje, há mais consumidores saindo de casa para ir às compras no comércio de rua e de shoppings. “Antes, muitos estavam retraídos temendo a covid-19”, argumentou. Como Sebastião destaca, a redução de 23,1% no total de lojas fechadas na Asa Sul “significa recuperação gradual da economia, após dois lockdows a partir de 2020, que afetaram o comércio e causaram a demissão de mais de seis mil pessoas em diferentes áreas do comércio”, acredita o titular.

De acordo com o levantamento, as que mais têm vendido são as lojas de confecções (roupas), calçados e artigos para o lar. Agora, contudo, o foco passa a ser o dia dos pais, dia 14 de agosto. “Espera-se um resultado positivo. Em termos de vendas, é a quarta melhor data, vindo depois do Natal, dia das mães e dia dos namorados”, pontua Abritta. Ele destaca ainda que o comércio volta a respirar de forma expressiva. “Um bom exemplo positivo foi as duas datas especiais deste ano, dia das mães e dia dos namorados, quando houve crescimento médio de 14% nas vendas contra 5% das mesmas datas em 2021”, diz. Isso, de acordo com Sebastião, mostra que o consumidor, em geral, perdeu o medo de sair de casa. E, com efeito, cresceu significativamente o movimento nas lojas de shoppings e de rua em toda a capital.

Jaqueline Amaral, que trabalha em uma loja de calçados na CLS 305, sentiu esse reaquecimento. “Comparado com o ano passado a quantidade de clientes subiu bastante”, conta a vendedora. “Por estarmos em uma rua comercial, muita gente que está andando por perto ou saindo de alguma outra loja acaba sendo atraída pela vitrine e entrando”, compartilha. Isso, como ela relembra, não acontecia nos dois últimos anos, visto que o movimento nas ruas estava fraco em decorrência da pandemia.

Os números não mentem

Na avenida W3 Sul, por exemplo, há 186 imóveis comerciais desocupados e as quadras 503 e 505 lideram o ranking com 24 e 22 lojas, respectivamente, sem funcionar. Nas quadras 100, o maior número de lojas fechadas, que são 7, ficam na Comercial Local Sul (CLS) 113. Já nas quadras 200, as comerciais da 214, 209, 208 e 207 têm 4 imóveis desativados cada uma, no total são 16. Nas quadras 300, o maior número (10) concentra-se na 311 e 312: 5 lojas sem funcionar em cada uma. E nas quadras 400, a 407 Sul desponta com 8 estabelecimentos fechados. Ainda segundo a pesquisa, as causas do fechamento de lojas na Asa Sul passam pelos aluguéis altos e falta de estacionamento.

Para o presidente do Sindivarejista, um outro fator explica, em parte, a reativação de muitas lojas. É que, com os constantes aumentos dos combustíveis, muitos consumidores passaram a ir às compras perto de suas casas, evitando o uso de carros e, assim, economizando dinheiro com etanol e gasolina. Ele acrescenta ainda que o saque emergencial do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a antecipação do pagamento do 13º salário para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também influenciaram para o incremento das vendas no comércio neste primeiro semestre. Segundo o Sindivarejista, o comércio já começa a se estocar para as vendas de fim de ano, mas ainda não há projeções quanto ao índice de vendas para o Natal.

Como explica César Bergo, professor de mercado financeiro da Universidade de Brasília (UnB), as lojas da Asa Sul tem a característica de serem rodeadas por residências de pessoas com bom poder aquisitivo, “desta forma, a queda nas vendas, na maioria dos casos, não era nem devido a renda, mas devido o isolamento social”, argumenta. “Na medida que a vacinação avança e a pandemia é controlada, as atividades voltam ao normal. Isso, sem dúvidas, incentivou a reabertura das lojas, assim como novos investimentos na região”, completou o especialista.

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Na opinião do economista, o projeto de urbanização na Asa Sul também tem sua contribuição nos números trazidos pelo Sindivarejista. “Podemos ver, hoje, uma nova Asa Sul. As áreas melhoradas estão ‘chamando’ novos investimentos e incentivando a reabertura de outros”, declara. “E a economia agradece. Além de movimentar os recursos, isso gera mais impostos e eu acho que foi nisso que o governo apostou”, pontua Cesar, destacando ainda que, para o consumidor, esse processo também foi positivo. “Todos gostam de fazer compras em locais agradáveis. Um ambiente abandonado não atrai as pessoas, além de ser perigoso”, finaliza o docente.








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