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Distrito Federal é líder em registros de armas de fogo

De acordo com o Anuário de Segurança Pública, o DF lidera o ranking de registros de armas de fogo no país, tendo um crescimento de 583%

Gabriel de Sousa
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O número de armas de fogo com posse individual cresce gradativamente a cada ano. É o que constata os dados do Anuário de Segurança Pública, que informa com detalhes as estatísticas que giram em torno da violência, sendo divulgado nesta última terça-feira (28). No estudo, foi constatado que o país possui 1.490.323 armas de fogo com cadastros no Sistema Nacional de Armas (SINARM), sendo registrado um crescimento de 21% dos índices de 2021 em relação a 2020, que tinha 1.233.745.

O estudo, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostrou que, destas 1.490.323 armas de fogo, 243.806 estão no Distrito Federal, que lidera como a unidade federativa com o maior número de registros. A fim de comparação, mesmo a vice-colocada São Paulo tendo uma população quinze vezes maior que a capital federal, o estado paulista possui quase 50 mil armas de fogo a menos.

Em 2017, o DF tinha 35.693 armas particulares e era a sétima do ranking com mais registros. Em 2019, o número sextuplicou e foi para 227.940, e o ano de 2020 fechou com 243.806 armamentos. Segundo o SINARM, de 2017 à 2021, o crescimento do número de registros de armas de fogo no DF foi de 583%. Nenhuma outra unidade federativa cresceu mais.

Os dados do Anuário também mostram que a maioria das armas de fogo ativas no DF são pertencentes a órgãos públicos que não pagam taxas, com 209.703 armamentos. Os armamentos de cidadãos civis brasilienses contabilizam 13.035 unidades. Outras 5.306 são de posse de servidores públicos que necessitam do artifício para o exercício das suas funções. Já as empresas de segurança privada possuem 8.310, enquanto os órgãos públicos contam com 6.665. Por fim, 582 estão como pertencentes a empresas comerciais do DF e 177 registradas em “outras categorias”.

As pistolas imperam como o armamento registrado mais presente na capital federal, representando 65% de todas as unidades, sendo seguida pelos revólveres (20%) e as espingardas (5,7%). Em menor número, os rifles, fuzis e carabinas somam 5,5% e as metralhadoras 2,5% das armas do DF.
Para especialista, fator econômico influencia

De acordo com Leonardo Sant’Anna, especialista em segurança pública e coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal, três motivos podem explicar o grande crescimento do número de registros de armas de fogo no Distrito Federal. Um deles seria o fator econômico, onde a renda per capita dos brasilienses – que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é oamaior do país – facilita a compra dos armamentos por parte dos cidadãos.

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“A primeira delas é um poder aquisitivo da população do Distrito Federal. Você tem um histórico muito diferente, comparativamente falando, do que outros estados da federação, estados até mais ricos como São Paulo e até Rio de Janeiro e Minas Gerais”, afirma o especialista.

Segundo Sant’Anna, o preço médio mínimo para a compra de uma pistola no Distrito Federal é de R$ 4 mil, sendo que junto com os testes psicológicos e técnicos, o custo para a obtenção da arma de fogo pode variar entre R$ 6 mil, o que seria equivalente a aproximadamente seis salários mínimos.

De acordo com a última Pesquisa Distrital de Amostra por Domicílios (PDAD), divulgada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) em maio deste ano, apenas 20,3% da população da capital federal ganha mais do que cinco salários mínimos, o que mostra uma distância da capacidade de posse de arma para a população das classes com um menor rendimento econômico.

Especialista cita outros fatores

Pelo fato da presença das sedes de órgãos administrativos como o Exército Brasileiro e a Polícia Federal, o especialista em segurança pública observa que conseguir uma arma de fogo em Brasília pode ter mais “facilitadores” em termos burocráticos, proporcionando um tempo de espera menor do que em outras unidades da federação.

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“Por ter uma população menor, e por ter uma série grande de órgãos administrativos, do Exército em especial e da Polícia Federal. Toda aquela parte documental da aquisição de armas de fogo ele também acontece de forma diferente de outros estados que dependem de toda uma análise da região militar. Alguém do estado de São Paulo tem que aguardar muito mais do que alguém aguardaria aqui no Distrito Federal.”, explica.

O coronel da reserva da PMDF também cita um fator cultural que influencia cada vez mais moradores a conseguirem novos registros. De acordo com Sant’Anna, a capital federal historicamente contou com um grande número de militares e autoridades que possuíam a posse de armas, o que pode acabar influenciando os mais jovens: “Tem uma população que já vem da terceira geração de famílias de militares, que são menos resistentes à ideia de poder fazer a aquisição de uma arma de fogo”.
Por último, o especialista afirma que com as políticas e incentivos do governo federal, os interessados que desejam ter o seu porte de armas mas que temiam ser “quase que demonizados” pela opinião pública, passaram a ter uma maior convicção na hora de solicitar um armamento.

“A partir do instante que você tem uma nova gestão pública e política, com alguém que é vindo de uma orientação militar, e que coloca isso como uma espécie de norte de campanha, as pessoas passam a não ter mais o receio de solicitar a aquisição deste armamento. […] Eu tinha a grana mas tinha medo de adquirir, tinha vontade, mas tinha medo de adquirir. Agora não, eu não tenho nem medo de adquirir, nem tenho qualquer dificuldade social. Então pronto, eu vou comprar”, conclui o especialista.

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