Carlos Carone
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Mais de 200 mil pessoas já acessaram o vídeo na internet que mostra a briga de trânsito no Distrito Federal. As imagens flagraram um motociclista chutar o retrovisor do carro de uma mulher e depois ser atingido e forma violenta por ela. As cenas graves sobre a postura dos condutores será transformado em inquérito policial e poderá render um indiciamento por lesão corporal à condutora do Pálio Weekend que aparece no vídeo.
O caso ainda está em apuração pela 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), responsável pela região do Setor Comercial Sul, onde ocorreu a confusão. Desde a última sexta-feira, quando ocorreu a briga, o caso ganhou grande repercussão na mídia. Um dos envolvidos, o técnico em eletrônica Gilver Motta, que dirigia a moto Kawasaki Ninja 1.100 que foi atingida pelo veículo e jogada no chão, já retornou ao local diversas vezes para dar entrevistas sobre o caso.
Segundo ele, a filmagem que está disponibilizada na internet registra apenas o último momento que culminou com as agressões mútuas. “Tudo começou quando entrei em um retorno e fui fechado uma primeira vez, acredito até que por uma desatenção. Em um segundo momento, fui fechado novamente e realmente reclamei com a motorista”, disse Gilver.
O motociclista afirmou que depois que passou pelo “corredor” entre os veículos é que a motorista, desta vez de forma intencional, jogou o carro para o lado onde ele estava, fechando a passagem. “Reclamei com ela mais uma vez e ela posicionou o carro para me atingir, acabei chutando o retrovisor e ela acelerou para me acertar. Depois, acabei caindo sobre o capô e ela acelerou ainda mais, tanto que atingiu outros carros”, contou.
Gilver disse que chegou a ter algumas conversas com a família da motoristas para que o prejuízo com a moto – calculado em R$ 12 mil – fosse pago, mas não houve acerto. Ele ainda não sabe se entrará com algum tipo de ação na esfera cível para tentar reaver as despesas.
A reportagem do Jornal de Brasília tentou entrar em contato com a motorista por meio de dois telefones, mas não conseguiu falar com ela nem como qualquer parente. No entanto, em seu depoimento à polícia, a condutora disse que as fechadas não foram intencionais e, após o retrovisor do carro dela ser quebrado, ela ficou com medo de ser agredida pelo homem e por isso tentou fugir do local.
Tanto o Pálio dirigido pela jovem de 22 anos, que trabalha como relações públicas, quanto a moto de Gilver passaram por perícia feita pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil. O resultado deve ficar pronto em até 40 dias. Depois, será possível a polícia concluir a investigação.
Segundo o especialista em trânsito, Luís Miúra, não importa quem é vitima ou culpado. Quando um acidente ocorre, é preciso ter cabeça-fria. “Para os motoristas brasileiros deixarem de ser taxados como violentos e imprudentes é necessário uma grande reciclagem que façam as pessoas pensarem de forma mais condescendente. Nervosismo, falta de paciência e querer sempre tirar vantagem são falhas que precisam ser corrigidas para transformar o trânsito e deixá-lo menos violento”, disse.
Leia mais na edição desta terça-feira (27) do Jornal de Brasília.