Carlos Carone
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Os bastidores de um dos casos de cárcere privado mais longos da história do Distrito Federal foi recheado de minúcias, detalhes que, na visão dos negociadores e gerentes de crise, foram fundamentais para um desfecho sem vítimas. “Como em um jogo de xadrez, cada peça envolvida é uma vítima e o detalhe é que você não pode perder nenhuma delas”. A frase dita, ontem, por um dos oficiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que acompanhou toda a negociação ocorrida em uma casa de Samambaia Sul, na terça-feira, resumiu a tensão vivida pelos policiais que estavam a cerca de 2,5 metros de Jardelson Freitas de Souza, 35 anos. Ele manteve a própria filha, de pouco mais de um ano, quase 16 horas sob a mira de um revólver.
Em uma entrevista reveladora, o capitão Leonardo Borges, um dos oficiais responsáveis por toda a organização dos times táticos que se espalharam pelo terreno da casa detalhou os momentos mais tensos, como a hora em que o chamado perpetrador – pessoa que ameaça o refém – começou um discurso suicida, ou ainda o momento em que a menina de um ano parou de chorar repentinamente. “Ele disse por telefone que tinha feito a filha se calar no tapa. Naquele momento pensamos em invadir o quarto”, contou o oficial.
Logo em seguida, o choro da menina mudou os planos do Bope. O vínculo criado entre Jardelson e um militar – que não estava na negociação – e o pedido dele para que fosse feita uma mamadeira ajudou a reduzir o nível de estresse. Um pedaço de rapadura manteve a ligação entre o suspeito e os policiais. “A glicose dele estava baixa e oferecemos. Ele quase saiu do quarto para pegar”, disse o capitão.