A vacinação contra a gripe (Influenza) no Distrito Federal segue restrita a grupos prioritários. A Secretaria de Saúde (SES-DF) reforçou nesta quinta-feira (09) que não há previsão para liberar a imunização para o público em geral. A campanha segue as orientações do Ministério da Saúde.
A pasta ressalta que, devido à baixa cobertura vacinal entre os grupos específicos, a orientação é manter a imunização restrita aos públicos prioritários: crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos a partir de 60 anos, pessoas com deficiências ou doenças crônicas, além de trabalhadores da saúde e profissionais de áreas específicas.
O Ministério da Saúde afirma que monitora rigorosamente os estoques e as reservas de imunizantes. Dados do Sistema de Informação de Insumos Estratégicos (SIES) indicam que o Distrito Federal conta hoje com 208.010 doses da vacina, sendo 99.570 armazenadas na Gerência de Rede de Frio (GRF), responsável por toda a logística dos imunobiológicos no DF, enquanto outras 108.440 estão disponíveis para aplicação em Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais e núcleos de vigilância epidemiológica.
A cobertura vacinal contra a Influenza está em 41,7%. A maior adesão foi registrada entre as gestantes, com 50,7%, seguidas pelos idosos, com 45,2%, e pelas crianças, com 32,8%. O objetivo da Secretaria de Saúde é alcançar a meta de 90% de cobertura, o que corresponde a 1.183.796 pessoas imunizadas.
A SES-DF reforça a necessidade de vacinação em 2026, mesmo para quem já se imunizou em anos anteriores. Como o vírus da gripe sofre mutações, a vacina de 2026 foi atualizada para proteger contra três variantes do vírus em circulação: Influenza A/Missouri (H1N1), Influenza A/Singapore (H3N2) e Influenza B/Austria (linhagem Victoria).
Na fila para vacinação
Morador de Sobradinho I, o analista administrativo Gustavo Gomes, de 25 anos, aguarda a abertura do calendário para novos grupos. Com o hábito de se imunizar anualmente, o jovem destaca que a vacina é, para ele, uma fonte essencial de tranquilidade e segurança. “Todos os anos me vacino. Ajuda a trazer tranquilidade no dia a dia. Apesar de alguns efeitos colaterais, a longo prazo a vacina é muito eficaz.”

Para Gustavo, a prioridade dada aos grupos de risco é compreensível, mas ele não esconde a insatisfação com o cronograma. O analista aponta que, passados três meses de espera, a falta de avanço para a população em geral gera desconforto.
“É muito ruim que não ampliem a vacinação para outros grupos. É uma vacina que já tomamos há bastante tempo, então o mínimo que esperamos é que as doses estejam disponíveis para toda a população, ainda que de forma gradativa. Entendo que o público de risco deva ser priorizado, mas a vacinação precisa ser liberada para todos o quanto antes.”
O designer gráfico Felipe Caian, 29, morador do Guará I, mantém o costume de se vacinar anualmente desde pequeno. A motivação vem do cuidado com a avó, que possui comorbidades. Como forma de incentivá-la, a família faz questão de se vacinar em conjunto durante o período da campanha contra a gripe.
“Minha família sempre se junta para vacinar, então eu diria que na minha vivência, a vacinação é natural e inegociável. É um cuidado que temos não apenas com a gente, mas também com nossos familiares e amigos”, destaca.

Felipe destaca que, ao lado da esposa, a psicóloga Bianca Cruvinel de Souza, aguarda apenas a liberação da Secretaria de Saúde para buscar a imunização deste ano em uma das UBS do Guará.
Maria Eduarda Muraro, de 22 anos, lamenta a demora na ampliação da vacinação para o público geral. A moradora do Jardim Botânico, que aguarda desde o início da campanha no primeiro trimestre, ressalta que a abertura do calendário é essencial para conter a propagação da Influenza pelo Distrito Federal.

“Acredito que já deveria ter sido disponibilizado, com toda certeza. Até para reduzir o risco de proliferação. Quanto mais gente estiver imunizada, menos o vírus se espalha. Todos deveriam ter esse direito.”
Especialistas reforçam a importância da vacina
Ana Carolina Hungria Xavier, fisioterapeuta respiratória e gestora da clínica Respirar & Crescer Fisioterapia Pediátrica, detalha como o sistema imunológico responde à infecção pelo vírus Influenza, especialmente sob as condições climáticas de Brasília, marcadas pela baixa umidade e pelo ar seco.
“Quando o vírus Influenza entra no organismo, ele desencadeia uma resposta inflamatória importante para combater a infecção. Em períodos de baixa umidade e ar seco, comuns no inverno, as vias aéreas ficam mais ressecadas e o muco perde parte da sua capacidade de reter e eliminar vírus e partículas inaladas. Além disso, o funcionamento dos cílios, pequenas estruturas responsáveis por ‘varrer’ secreções e microrganismos para fora do pulmão, também fica menos eficiente”, explica.

A especialista ressalta que tais fatores favorecem a instalação do vírus e elevam o risco de complicações respiratórias, sobretudo em crianças, idosos, gestantes e pacientes com doenças crônicas. É justamente por esse agravante que a Secretaria de Saúde estabelece a priorização desses grupos na campanha de vacinação.
“Nesses pacientes, a Influenza pode evoluir para pneumonia e insuficiência respiratória, tornando a vacinação e as medidas de prevenção ainda mais importantes”, conta.
O risco de um surto intenso aumenta significativamente à medida que a cobertura vacinal no DF permanece abaixo da meta definida pela Secretaria de Saúde. O alerta é de Henrique Valle Lacerda, infectologista do Hospital Brasília, que reforça a preocupação com os meses de maior circulação viral.
“A gravidade depende também da cepa predominante, da procura por atendimento, do início precoce de antivirais em grupos de risco e da capacidade da rede de saúde. Mas a baixa vacinação significa mais pessoas vulneráveis ao mesmo tempo, o que favorece aumento de casos e internações”.

O infectologista detalha a necessidade de atualização anual das vacinas contra a Influenza e esclarece os motivos pelos quais as fórmulas variam a cada temporada. “A vacina da gripe precisa ser atualizada todos os anos porque a influenza muda suas proteínas de superfície, alvo da resposta imune. A composição vacinal é revista anualmente conforme os vírus em circulação e as cepas mais prováveis para a próxima temporada. Além disso, a proteção diminui com o tempo, o que reforça a necessidade da vacinação anual”, explica.
O especialista reforça que, embora a imunização não impeça a infecção, ela é fundamental para preparar o sistema imunológico e prevenir complicações mais graves da doença. “Mesmo quando a pessoa vacinada pega gripe, a vacina continua sendo decisiva porque reduz principalmente o risco de doença grave. Ela prepara o sistema imunológico para responder mais rápido, diminuindo a replicação viral, a inflamação e as complicações, como pneumonia, descompensação de doenças crônicas, internação e óbito”, complementa.
A lista completa dos grupos de risco e os locais de vacinação pode ser consultada no site da Secretaria de Saúde.