Brasília

Aumento da gasolina prejudica motoristas de aplicativos

Com reajuste de R$ 0,23 no litro do combustível, alguns pensam em procurar outra fonte de renda

Mayra Dias
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“Estamos pagando para trabalhar”. É o que declara o presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativos no DF (Sindmaap), Marcelo Chaves. Devido a sequência de aumentos no preço dos combustíveis na capital, quem utiliza seus veículos como meio de obtenção de renda está enfrentando uma má fase.

Se colocarmos na ponta do lápis e calcularmos com exatidão as receitas e despesas, nota-se que estamos pagando para trabalhar

Marcelo Chaves, presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativos no DF (Sindmaap)

O litro da gasolina já chegou a R$ 5,49 em alguns postos de Brasília e, sem reajuste nas tarifas das plataformas, motoristas afirmam não estarem apresentando lucro com a prestação do serviço.

A quarta mudança no preço anunciado pela Petrobras, tanto da gasolina quanto do diesel, na última sexta-feira, registrou um aumento de, pelo menos, R$ 0,23 no litro do produto. Devido a isso, em algumas bombas de postos da região, o valor já ficou acima de R$ 5,70. “Se colocarmos na ponta do lápis e calcularmos com exatidão as receitas e despesas, nota-se que estamos pagando para trabalhar”, afirma Marcelo.

Tarifas não acompanham

Líder do grupo Movimento dos Motoristas de Aplicativo no DF, Manoel Scooby, de 43 anos, diz que as plataformas não estão prestando apoio para auxiliar os profissionais neste momento. “Os nossos lucros diminuíram pois as tarifas das corridas não tiveram reajustes”, relata Scooby, motorista de aplicativo há 4 anos. Ele revela ainda que, desde o início das mudanças no preço do combustível, a única ação das companhias foi firmar uma parceria com aplicativos de abastecimento, que funcionam por meio de cashbacks e descontos. “Nem todos os motoristas têm cartão de crédito, o que é obrigatório para utilizar esses serviços, então eles acabam não conseguindo esses descontos, que, inclusive, nem são tão vantajosos”, destaca Manoel.

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Devido a situação, o líder da classe chama atenção aos efeitos negativos que o cenário tem proporcionado, inclusive, para os passageiros. Ele explica que, ao serem chamados, muitos motoristas estão recusando as viagens devido a distância em que se encontra o usuário. “Às vezes não compensa. Viagens curtas também estão sendo menos aceitas. A qualidade do serviço está sendo afetada, visto que estão havendo mais cancelamentos por parte dos motoristas e demora para encontrar outros”, avalia Scooby.

De acordo com o representante, em 2015, ano em que os aplicativos de transporte foram legalizados na capital, a taxação era de 25%, sendo equivalente, por quilômetro rodado, a R$ 1,60. “Hoje, essa quilometragem é de R$ 0,78 a R$ 0,98, ou seja, é variável”, completa.

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