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Ato de 10 anos da desocupação do Pinheirinho tem críticas a Alckmin e PM

Cerca de 200 pessoas participaram neste sábado (22) de um ato que marcou os dez anos do despejo das famílias que moravam ocupação Pinheirinho

Por FolhaPress 22/01/2022 5h19
Foto: José Cruz/Agência Brasil

JEFFERSON SANTOS
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, SP (FOLHAPRESS)

Cerca de 200 pessoas participaram neste sábado (22) de um ato que marcou os dez anos do despejo das famílias que moravam ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba.


A desocupação do terreno em janeiro de 2012, com a retirada de 6.000 pessoas que moravam no local, ganhou projeção nacional e se tornou uma dos mais emblemáticos casos de luta pela moradia do país, com críticas a atuação da Polícia Militar.


Organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José e Região, com apoio de outras 200 entidades, a manifestação começou por volta das 11h e durou cerca de duas horas. Participaram militantes da causa da moradia popular, líderes políticos, movimentos sociais e ex-moradores.


Os militantes relembraram a truculência da Polícia Militar na remoção de 1.800 famílias que viviam no terreno, ocupado entre 2004 a 2012. Os moradores foram retirados à força pela tropa de choque da PM, na gestão do então governador Geraldo Alckmin (sem partido).


Uma das faixas trazia a mensagem: “Geraldo Alckmin, não esqueceremos da violenta desocupação do Pinheirinho”.
Alckmin é cotado para ser candidato a vice-presidente na chapa liderada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste ano. Ele deve se filiar ao PSB.


Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, destacou a importância de rememorar o caso do Pinheirinho para evitar novos despejos sejam feitos de forma violenta. E lembrou que as famílias só conseguiram uma moradia após a desocupação devido à luta que foi feita na época.

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“Quando há crises políticas e sociais, a gente vê o pobre ficando mais pobre e o rico ficando mais rico. Ocupações de terra como a do Pinheirinho vão surgir em todos os centros urbanos e cidades do país. É importante que a gente sempre relembre essa situação, principalmente para que nunca mais ocorra despejo violento como ocorreu aqui”, afirmou.

O advogado que atuou junto às famílias desde o início da ocupação, Toninho Ferreira, criticou a situação do terreno desocupado há dez anos, que segue sem função social. Com 1,3 milhão de metros quadrados, a área pertence à massa falida de uma empresa do investidor Naji Nahas.

“O terreno está aqui, perdido, até hoje. Queremos que aqui se torne novamente um local de casas populares. É possível”, afirmou Ferreira, que é presidente do PSTU em São José dos Campo.

Aos 53 anos, José Nivaldo de Melo lembrou, emocionado, como foi ser despejado do local e a dificuldade que enfrentou na época para sobreviver. Ele mantinha um galpão de reciclagem no Pinheirinho de onde tirava o seu sustento. “Tinha estabilidade, estava com a minha família. Estava num paraíso”, relata.

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Ele lembra que foi dentro da comunidade que ele constituiu família: conheceu a sua esposa, casou em uma igreja evangélica e teve uma filha.

“Quando fomos despejados, perdi tudo e vivi de favor. Olho isso tudo vazio, cheio de mato, dá vontade de chorar. Poderia transformar em moradia”, disse José Nivaldo, que hoje trabalha como agente ambiental na prefeitura e vive em uma das casas do Conjunto Habitacional Pinheirinho dos Palmares, erguido na região sudeste da cidade.

Pinheirinho dos Palmares fica a 16 km da antiga ocupação. O novo conjunto habitacional foi construído sobre uma fazenda e era ainda zona rural à margem da rodovia Carvalho Pinto, pouco antes de ser dividido em 1.461 lotes destinados às famílias que viviam no Pinheirinho.

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