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Brasília

Apesar das dificuldades no início da infância, Beatriz era sempre carinhosa

Arquivo Geral

31/12/2011 7h10

Vinícius Borba
vinicius.borba@jornaldebrasilia.com.br

 

Um clima de choque e consternação pela perda da filha mais nova da casa tomou conta da família de Beatriz Silva, nove anos, raptada, estuprada e morta no dia de Natal. Para o irmão mais velho, D., de 16 anos, o sentimento da perda é terrível. “Não há como ficar pior. Esse foi o mais terrível presente de Natal que recebi na vida. Este ano, não tem festa de Ano Novo, 2011 acabou mal para todos nós”, disse.

Em contraste com a sensação de terror, o pai da garota revelou certo alívio em encontrar o corpo da menina, podendo, assim,  sepultá-la, diferentemente de tantas outras famílias brasileiras que sofreram drama semelhante. “Já vimos tantos casos de pessoas que estão até hoje em desespero, sem ter o direito de enterrar suas filhas”, disse.

As lembranças, desde a época em que  Maria de Lourdes Silva Alves Feitosa, 37 anos, e Reginaldo Pereira  do Nascimento,  51 anos,   adotaram a menina, há cerca de oito anos, tomaram a mente da mãe,  durante alguns momentos em que as lágrimas cessaram, enquanto resolvia os trâmites burocráticos do sepultamento.

“Me recordo bem do dia em que soube por uma amiga que sua irmã estava sem condições de criar duas filhas. Quando fui lá, vi a criança em um colchão sem forro, toda suja. Peguei Beatriz no colo e, quando fui devolvê-la, ela não quis largar  meu pescoço. Acabei eu mesma a alimentando, e começamos os processos junto ao Conselho Tutelar e Justiça para assumir a guarda dela”, disse Maria de Lourdes que, na noite em que o corpo da  filha foi localizado, só conseguiu dormir  sob o efeito de medicamentos.

Cura

Para o pai Reginaldo Pereira, hoje  separado de Maria de Lourdes, e residente nas proximidades da casa da filha, a saudade traz à tona toda a lembrança de quando o bebê  chegou em sua casa. “Adotamos depois de ter perdido uma outra filha,  ainda com um ano. Ela chegou com paralisia nas pernas, mas, com muitas orações e fisioterapia,  com um ano de idade  começava a andar. Deus nos deu essa cura, que foi um alívio”, disse.

Leia mais na edição deste sábado (31) do Jornal de Brasília.


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