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Brasília

Animais seguem na rua após derrubada de abrigo 

Um abrigo foi derrubado no começo do mês, e o responsável pelos cachorros está em busca de um local para continuar atuando.

Amanda Karolyne

25/06/2024 22h03

Arquivo Pessoal

A luta segue para Flávio de Souza, 44 anos, responsável por encontrar um lar para em média 13 cachorros desabrigados no Núcleo Bandeirante. Duas semanas depois que o abrigo Casinha Comunitária foi derrubado, um dos cachorros morreu e a maioria continua na rua. O criador do abrigo, que ficava localizado perto da Unidade de Pronto Socorro do Núcleo Bandeirante, atualmente enfrenta dificuldades para continuar o serviço voluntário. 

Agora, Flávio está à procura de uma casa para alugar. Ele alimenta 52 cachorros de rua, e para não se distanciar desses animais, o protetor aponta que precisa conseguir um espaço no Riacho Fundo I. “A gente está com dificuldades para procurar um lugar que aceite os animais”. Essa é uma das dificuldades que Flávio está passando. 

Outra situação é que, mesmo quando Flávio encontra uma casa, o dono da propriedade não aceita os animais de rua. “Foram retirados cinco da rua, juntamente com os protetores de animais, e eles foram encaminhados para uma feira de adoção”. Dois deles foram adotados, e os outros três estão em lares temporários. 

Entretanto, os outros animais que viviam no abrigo correm perigo. Uma delas, é a Princesa, uma cachorra de médio porte que está desaparecida desde que o Casinha Comunitária foi derrubado. Atualmente, Flávio destaca que uns animais estão na rua, e outros estão ficando perto do lixão. “O que está me deixando sem sono é a situação desses animais”. 

Essa é a Princesa que está desaparecida desde a derrubada do abrigo no Núcleo Bandeirante. Foto: Arquivo Pessoal

Flávio espera comover as pessoas de bom coração a dar preferência para aqueles animais de rua, que elas possam adotá-los.  “Uma vez que eles forem adotados, seguirei minha vida como cidadão de bem, trabalhando sem ter preocupação para arrumar lugar para morar”. 

O responsável por esses animais, está morando de favor na casa de uma amiga. Ele está desempregado no momento, e deseja montar o próprio Pet Shop – banho e tosa, para ter uma renda fixa e poder ajudar os animais de rua. “E estando num lugar fixo, eu consigo acionar os protetores de Brasília”. 

Flávio está pedindo socorro da sociedade para que o ajudem a encontrar um lar para os bichos que ainda estão com ele, antes que eles desapareçam também. “A gente que pega amor por animais, acaba sofrendo junto com eles”. Um dos sonhos de Flávio, é poder acolher os animais de rua para encaminhá-los para a castração, e depois os levar para feiras de cães para serem adotados. 

Um simples gesto o levou a criar o abrigo

Uma atitude sem compromisso fez Flávio começar a atuar no resgate e proteção de animais. Ele conta que um cachorro estava passando necessidade, e ele começou a dar comida para o bichano.  “Depois ganhei um saco de ração, e incentivado por essa pessoa que me deu essa ração, comecei a botar comida para os cachorros abandonados”. Ele dizia que era só esperar a ração acabar, e iria parar com isso. “Mas até hoje as pessoas nunca pararam de doar ração e a brincadeira nunca acabou”, completa.  

Em fevereiro de 2019, Flávio fundou o Casinha. Lugar onde ele também morava. O protetor de animais resolveu encerrar o abrigo em março desse ano, porque as pessoas estavam se aproveitando da situação e abandonavam animais na porta. “Aquilo estava me adoecendo, e a gente perdeu o controle da situação”. 

A pessoa que deixa um cachorro na frente de um abrigo, não vai ter essa preocupação do gasto necessário para cuidar de um bichinho. Como Flávio destaca, quem vai se preocupar são os voluntários das Organizações não governamentais voluntárias, que até ganham doação, mas muitas das vezes precisam tirar do próprio bolso para continuar. “As pessoas pensam que as organizações sem fins lucrativos e abrigos, tem obrigação de cuidar dos animais, mas para cuidar gera tempo e gasto com remédio e alimentação que a gente não tem como arcar”.

A derrubada

O cachorro que morreu na derrubada do abrigo, se chamava Magnata. Flávio explica que ele foi para no abrigo, após ter sido resgatado de situação de maus tratos. Ele estava com bicheira no rabo e recebeu tratamento médico com a ajuda da comunidade. O rabo foi amputado e ele foi castrado. Quando ele estava no pós-operatório, se recuperando da castração que fez depois de ficar forte e sadio, foi atropelado pelo trator. 

O local em que o abrigo atuava de forma irregular, pertencia a Terracap e foi cedido ao Centro Comercial e Cultural Park Nativo, que segundo Flávio, vai prestar apoio e pagar um ano de aluguel assim que ele conseguir o espaço. 

Em nota, a empresa esclarece que por meio de um processo judicial, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios tomou uma decisão favorável à reintegração de posse do terreno, que aconteceu no dia 6 de junho. A execução da ordem foi cumprida por um oficial de justiça, junto com a Polícia Militar, o Conselho Tutelar e os demais órgãos. A empresa está ciente de que no local havia 12 cães. “Conforme a decisão judicial, foi oferecido ao senhor Flávio de Souza, transporte e todo o apoio necessário para a retirada dos animais, tendo inclusive, sido assinado um acordo extrajudicial entre as partes, para garantir que os animais fossem encaminhados para um local seguro”, segue a nota. 

Reafirmando o compromisso com a causa de proteção animal, a instituição proprietária do lote, ressalta mais uma vez o respeito e apoio a essas iniciativas, e apela para que a comunidade colabore com a adoção desses animais que estavam no abrigo e estão em ótimas condições de saúde, conforme foi falado pelos veterinários responsáveis. “O que não só proporcionará aos animais um lar amoroso, mas também contribuirá para o bem-star da comunidade”. 

Ajude

Para os interessados em ajudar Flávio, o basta entrar em contato por meio dos telefones (61)999855-2002 e (61)98173-2519.  

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