Bernardo Bittar
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A sustentabilidadenão faz parte apenas do cotidiano dos adultos. Esse espírito tem sido estimulado por atividades promovidas nas escolas, a fim de educar as crianças com ensinamentos que pregam o reaproveitamento de materiais como plástico, papelão e madeira. A intenção é mostrar aos pequenos que é possível viver com conforto evitando certos excessos.
Para aprender na prática o que é o real significado deste conceito, 450 crianças com idade entre 11 e 14 anos produziram itens diversos para uma feira artesanato do colégio Galois. É a primeira vez que o projeto ocorre na escola, e, com o rendimento da venda dos 400 objetos criados pelas turmas, duas instituições serão ajudadas.
A Feira da Fazenda, como foi batizada, tem esse nome por causa das aulas em campo ministradas na fazenda do colégio, onde alunos entre o sexto e o nono ano estudaram sobre educação artística, tecnológica, cidadã, ambiental e física, junto com lições de teatro. “Foram seis matérias conjuntas para conseguirmos dar o suporte total para a criançada”, conta a coordenadora do ensino fundamental do Galois, Cristina Moura.
Gabriel Haiek, de 12 anos, colou, montou e coloriu peças da equipe do sétimo ano, como um oratório feito de papel cartão. “Aprendi que existem muitas formas para reciclar coisas que a gente acha que não tem mais importância”, comenta.
Caixas antigas, madeira reaproveitada de carteiras escolares em má conservação, azulejos, lona, garrafas pet e até lâmpadas queimadas foram os destaques da coleta de quase meia tonelada que os pequenos tomaram frente. “A gente fez questão de dizer que eles poderiam trazer tudo o que achassem não teria mais função em casa, como restos de fitas, tecidos e até botões”, comenta Cristina.
O resultado dos três meses de trabalho surpreendeu não somente os professores, como também todos empenhados no processo. “Sustentabilidade envolve economia em um modo de vida que pode se tornar muito divertido”, explica a estudante Luiza Rocha, de 12 anos.
O reaproveitamento parou de ser uma atividade escolar para se tornar parte da vida dos pequenos. “Muitos deles aplicaram as técnicas ensinadas nas oficinas para construir objetos em casa. E o melhor é que souberam conduzir esse artesanato residencial coordenando a matéria-prima”, diz o professor de educação ambiental Armando Junior.
Sabendo substituir madeira por papelão, por exemplo, a garotada foi despertando a criatividade. “Dá pra ter muito trabalho com esse ‘lixo’ que ninguém mais quer. Além de aprender uma forma de ajudar o nosso planeta, fiz novos amigos que também gostam de reciclar, assim como eu”, conta Laura Lopes, 12 anos.
Depois que foram apresentados às premissas da economia de água e energia elétrica, muitos dos alunos começaram a alertar seus pais e já dão pitacos até sobre a rotina da casa. “Sustentabilidade pode ser feita de várias formas. Se eu sair do meu quarto e deixar a luz acesa, vou gastar energia sem necessidade. Desligar uma lâmpada que não está sendo usada é uma forma de praticar o que aprendi”, diz Gabriel Haiek.