Leandro Cipriano
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Amorte de dois moradores de rua no Areal deixou claro o grau de violência ao qual a população que vive nessas condições, no Distrito Federal, está suscetível. O crime ocorreu apenas duas semanas após outros dois serem queimados vivos em Santa Maria. Um morreu, o outro segue internado. Esses crimes agravam ainda mais uma situação que já era preocupante. Segundo o Censo da População em Situação de Rua do Distrito Federal, realizado ano passado pelo projeto Renovando a Cidadania, da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF), 59,6% dos adultos que vivem nas ruas já sofreram algum tipo de violência – 27,6% afirmaram terem sido vítimas várias vezes.
De acordo com o censo, existem no Distrito Federal cerca de duas mil pessoas em situação de rua – 85% deles são dependentes químicos. Como medida para atender essa faixa da população, o governador Agnelo Queiroz anunciou, na terça feira, a construção de três novos abrigos, com 200 vagas em cada um deles, além de duas unidades de Centros de Referência, uma na 903 Sul e outra em Ceilândia.
Atualmente, apenas o albergue público Conviver, no Areal, atende esse público. No entanto, a maioria dos albergados rejeita a possibilidade de ir para o local. De acordo com o censo, 78,7% dos moradores de rua entrevistados prefeririam não dormir no local. O principal motivo apontado pelos moradores de rua, na pesquisa, para desaprovar o uso do albergue foi justamente a violência que ocorre entre os próprios albergados, o que representou 31,5% das reclamações, seguido da má reputação do local, com 26,2%.
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