Ameaçada pela desordem urbana e a especulação imobiliária, decease a cidade de Águas Claras, buy a 20 quilômetros do Plano Piloto, ed cresce em ritmo acelerado. A expansão assusta e dá um sinal de alerta para o estrangulamento do trânsito e a falta de infra-estrutura para atender à população.
Prédios com mais de 20 andares se proliferam e formam uma paisagem de concreto. Hoje, um pouco mais da metade da cidade já está ocupada, cerca de 60%, e os moradores convivem com a sensação de que vivem em um eterno canteiro de obras.
Entre um complexo residencial e outro que se erguem na selva de pedra, terrenos são escavados e preparados para a construção. Quase todas as áreas já estão vendidas ou ocupadas e cerca de 120 empresas, entre construtoras e empreiteiras de todo o país, investem na região que aumenta a cada dia.
O administrador regional de Águas Claras, Antônio Távora, comenta que, para alguns, a cidade já ganhou o título de “Dubai do Cerrado”, em uma alusão à cidade dos Emirados Árabes que passa por um “boom” de construções e é conhecida internacionalmente por sua arquitetura arrojada.
“Acredito que o apelido é um pouco exagerado, mas faz jus ao crescimento da cidade”, observa o administrador. Segundo dados da Associação de Moradores de Águas Claras, inicialmente acreditava-se que o local abrigaria 160 mil pessoas quando atingisse 100% de sua ocupação possível, mas as projeções feitas atualmente falam em 270 mil moradores quando a área for totalmente ocupada.
O descompasso entre a expansão e os investimentos em infra-estrutura preocupam os moradores, autoridades e trabalhadores que circulam diariamente pela região. Com cerca de 120 mil habitantes, Águas Claras possui apenas oito paradas de ônibus e deficiência no transporte público. A construção de mais 22 pontos está em licitação e não há previsão de instalação.
Sem respeito
Quem espera pelos coletivos precisa enfrentar o sol e a poeira, na época da seca, e se proteger da chuva, no verão. A doméstica Rosilene Conceição, 32 anos, afirma que os horários de ônibus não são cumpridos e que não há respeito com os passageiros que utilizam o transporte público.
“Ficamos no meio da rua esperando pelo ônibus, que sempre demora. Fica difícil chegar ao trabalho no horário certo e muita gente perde o emprego por conta disso”, desabafa Rosilene, que mora no P Sul (Ceilândia) e leva uma hora e meia para chegar a Águas Claras
Outro problema facilmente observado na cidade é a sinalização, ou a falta dela. Pelas ruas e avenidas, os números de quadras se confundem com nomes de árvores e plantas que batizam as vias, como Araucárias, Manacá e Flamboyant. A população também reclama dos transtornos ocasionados pelas construções. A poeira trazida pelo vento e o barulho das máquinas incomodam. Na chuva, a terra que fica espalhada vira lama e invade as ruas.
O presidente da Associação de Moradores de Águas Claras, José Júlio de Oliveira, afirma que a população também teme pela segurança. “Na parte vertical da cidade, não existem postos de saúde, de polícia, nem escolas. É assombroso, porque o investimento público não acompanha o crescimento da cidade”, relata ele.