Francisco Dutra
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Odebate sobre os limites de convivência e a tolerância dentro dos espaços públicos ganhou volume no Distrito Federal. Anteontem, a população se assustou com os desdobramentos explosivos de um atrito aparentemente banal entre dois homens dentro de um elevador em um shopping no centro de Brasília.
Incomodado com o alto tom da fala ao celular do outro cidadão que compartilhava o elevador, um dos ocupantes teria cometido empurrões, palavras agressivas e jogado o aparelho no chão. Logo depois, o agredido retirou um canivete da pochete e revidou com golpes no peito do outro cidadão. A punhalada não foi fatal, mas acendeu a discussão sobre rompantes de violência.
Segundo o sociólogo da Universidade de Brasília (UnB,) Antônio Flávio Testa, este é mais um episódio que revela o crescimento preocupante do estresse dentro da sociedade. Para Testa, ambos os lados passaram dos limites ao apelar para a agressão.
“Todo mundo atende celular em ambiente público. Mas a maneira de se fazer isso depende da etiqueta de cada um. Tem gente que fala baixo. Mas tem gente que fala muito alto, não respeitando o espaço do outro”, pontuou. O simples uso do aparelho em locais fechados deveria ser tratado como algo comum, já que, somente no DF, são 5,5 milhões de telefones celulares, conforme mostrou repostagem do Jornal de Brasília, publicada no último dia 26.
Por outro lado, Testa lembrou que a tolerância também está em declínio. “A questão da fala do celular foi apenas um estopim para tudo o que aconteceu”, ponderou.
De acordo com o sociólogo, tanto o desrespeito ao espaço alheio quanto a intolerância tem origem em uma sociedade cada vez mais egocêntrica. E com os olhos voltados apenas para si, com o egocentrismo, fica difícil de se observar e respeitar os limites dos demais cidadãos.
“No Brasil o egocentrismo é crescente. No Facebook, por exemplo, tem gente que posta: acordei, dormi, vou caminhar no parque. É cada ‘eu’ querendo ser o centro de tudo”, exemplificou.
Testa pontuou que, atualmente, as pessoas se sentem em estado de plena de liberdade, mas poucos ficam atentos às responsabilidades necessárias para exercê-la. “A banalização dos espaços públicos é crescente. E a banalização do espaço do outro é desesperadora”, criticou o sociólogo.
Leia mais na edição desta sexta-feira (30) do Jornal de Brasília.