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Brasília

Adasa apura novas denúncias de roubo de água

Arquivo Geral

18/11/2011 7h33

Camila Costa
camila.costa@jornaldebrasilia.com.br

O Distrito Federal tem, hoje, aproximadamente 30 mil poços e cisternas espalhados pela cidade. A estimativa da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do DF (Adasa) é que cerca de 70% desta quantidade seja de extrações subterrâneas de água irregulares. Esta semana, o Hospital Santa Luzia foi multado em R$ 10 mil pela agência por manter dois poços na unidade com o objetivo de economizar na conta de água.

Segundo o coordenador de Fiscalização da Adasa Hudson Rocha,  a agência chegou até o hospital por meio de denúncias. No entanto, o caso não é uma exceção. De todas as vistorias feitas em estabelecimentos do DF, 90% são provenientes de denúncias, por meio do site da Adasa. “Estamos apurando várias denúncias. Muitas são de relevância e chegam até a agência por meio de usuários. Isto mostra a conscientização da população”, avalia.
Além da extração de água subterrânea, a Adasa afirma, em relatório, que o Hospital Santa Luzia misturava a água recebida pela Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) com a da fonte alternativa, para atender ao abastecimento humano, a limpeza e a higiene. Entretanto, por meio de nota, o hospital informa que cumpriu a determinação da Adasa, de lacrar os poços, e que a água era utilizada, exclusivamente, para irrigação e higienização de áreas do hospital.

Mesmo nestes casos, afirma a nota, a água era tratada. De acordo com informações da Assessoria de Imprensa do hospital, a próxima etapa será o tamponamento dos poços. O hospital está em negociação com a Adasa para definir o dia da execução da obra.

Novo caso

Foto: Glaucya Braga

 Outro caso descoberto há dois meses pela Adasa também rendeu multa ao Hotel Saint Peter. Depois de duas vistorias ao hotel, os agentes da Adasa descobriram um poço escondido dentro de um depósito, no subsolo do prédio. “Na primeira visita, como era muito escondido, não vimos nada e um funcionário afirmou que não havia poço, inclusive assinou um termo”, conta Hudson Rocha.

Segundo o coordenador, depois de 15 dias do tamponamento do primeiro poço, a agência recebeu outra denúncia, sobre a perfuração de um novo local para continuar com a extração de água. “Conseguimos chegar lá antes que perfurassem o lençol freático”, explica Hudson.

O relatório feito pela Adasa indica que o hotel misturava a água da Caesb com a água artesiana, que não tinha tratamento. A unidade foi multada em R$ 10 mil, com agravante. “Foram autuados por fraude, por um funcionário ter assinado o termo afirmando que não fazia uso de água de poço e sob infração por vantagem, quando retira água para benefício”, explica Hudson.

No entanto, de acordo com o gerente geral do Saint Peter, Segundo de Almeida, o hotel foi apenas notificado e a multa não será paga, pois foi aplicada de forma indevida. “A água era usada para lavar roupa e irrigar jardins, além de existir um filtro para tratar a água. Não era usada nos apartamentos. Pediram para obturar o poço e isso já foi feito”, afirma Almeida.

O hotel possui 423 apartamentos e, segundo a Adasa, não é possível afirmar que a água era utilizada para abastecer as unidades. Apesar de reclamar a multa, o gerente do hotel admite que o poço não era legalizado. “Não houve fraude, pois o funcionário que assinou o termo realmente não deveria saber da existência do poço”, avalia o gerente.

Inaugurado em julho de 2001, o Saint Peter fez, em 2006, uma reestruturação do hotel com a atualização de todas as suas unidades e a ampliação do número de apartamentos de 382 para 427. A mudança o torna o maior hotel da área central de Brasília.

Leia mais na edição desta sexta-feira (18) do Jornal de Brasília.

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