Camila Costa
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Diante à violência urbana que se vive hoje, envelhecer se tornou um privilégio para a população. Poder construir uma família, ver os filhos crescerem, os netos nascerem e formarem uma nova família é uma dádiva. Porém, para muitos idosos, este deixa de ser o período da “melhor idade” para se transformar na pior fase da vida. Dados da Central Judicial do Idoso (CJI) revelam que, entre os tipos de violência registrados contra a pessoa idosa no DF, a psicológica (ameaça, humilhações) está em primeiro lugar, com 33,12% das denúncias. Em seguida vêm a negligência (25,49%), a violência financeira (como se apropriar dos bens do idoso) (17,97%) e, por último, a violência física (15,58%). Pior: os filhos lideram as agressões, com mais de 65%, enquanto 8,7% são feitas por outros parentes e 3,76% por vizinhos.
“Eles ficam chateados, falam o tempo todos das agressões que sofrem”, conta a ex-cuidadora de idosos Joana Rosângela Pereira. Casos como o de Raimunda (nome fictício), que foi deixada pelos filhos aos cuidados da empregada. De família muito rica, a idosa perdeu quase tudo o que tinha para os filhos, que a abandonaram. Só voltaram a visitá-la quando descobriram que ela tinha planos de deixar o apartamento para a empregada que cuidava dela.
A., 82 anos, sabe bem o que é ser explorado pelos filhos. Aposentado pelo INSS, sofre pressão da família para fazer empréstimos consignados. O que sobra mal dá para pagar os remédios. “Se não fizer isso, eles me ameaçam a internar num asilo. Não quero isso”, lamenta, sem saber a quem recorrer.
Ainda há um significativo índice de violência institucional, principalmente nas áreas da saúde, transporte, assistência social e habitação. “A gente sente que os idosos violentados são mais fragilizados que os outros, são quietos, tristes”, afirmou a cuidadora de idosos Maria do Socorro Sobreira Santos. Há sete anos nesta função, Maria lembra de algumas histórias, muitas com o final triste. “Essa, inclusive, faleceu. Era a Dona Edna. Falava o dia inteiro que não gostava de ser velha porque a família não a tratava bem. Ela dizia, ’só eu sei o que passo, sou muito maltratada’”, lembrou a cuidadora.
Em outro caso, a família abandonou a idosa nas mãos de um suposto cuidador, que a deixava sozinha três dias por semana. Sem água ou comida, ela ficava apenas deitada na cama. Maria lembra de um outro caso, onde a idosa foi deixada à força no asilo e ainda foi enganada. “Fizeram ela assinar uns papéis passando tudo para o nome dos parentes. Ela falava sempre, nunca esqueceu que os filhos tomaram tudo”, lamentou.
Crescimento
Em dez anos, a população brasiliense com mais de 60 anos aumentou 80%. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2010, o número de pessoas desta faixa etária subiu de 109 mil para 197 mil, tornando o Distrito Federal a unidade da Federação com a maior expectativa de vida do País, junto com Santa Catarina – chegando à média de 75,8 anos.
A maior concentração de idosos está na Asa Norte, aproximadamente 14 mil, de acordo com referências de 2009 do IBGE. Em seguida, está o Gama, com 12.562 idosos; o Guará, com 12.350; e Planaltina com 10.050. O Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA) e o Varjão são as cidades com menor concentração de pessoas envelhecidas. Ao todo, 240 e 306 idosos, respectivamente.