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Avaliação nacional de vinhos, safra 2023

A expressão da diversidade de castas, regiões e técnicas de vinificação

Por Cynthia Malacarne 10/11/2023 11h34
Foto: Jeferson Soldi

Não é novidade que a qualidade do vinho brasileiro vem alcançando reconhecimento em âmbitos nacional e internacional. Hoje, quem mora no Brasil possui uma ampla gama de vinhos elaborados em nosso território para explorar e provar.

Há algum tempo, a geografia do vinho brasileiro mudou a sua configuração. É incrível ver a ascensão e diversificação da produção da bebida no Brasil, particularmente com a exploração de novas regiões e técnicas de cultivo inovadoras. A vitivinicultura brasileira, que antes era predominantemente associada ao Sul do país, agora se estende por diferentes estados e climas, resultando em vinhos de alta qualidade.

A técnica de dupla poda e a realização da vindima no inverno têm permitido a produção de vinhos em regiões que antes não eram consideradas tradicionais para esse fim, como Brasília, por exemplo. Isso tem proporcionado uma nova gama de sabores, aromas e estilos, refletindo a diversidade do nosso país.

Podemos presenciar toda essa diversidade na 31ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2023, realizada em Bento Gonçalves-RS, onde foram recebidas 503 amostras inscritas por 74 vinícolas de sete estados (Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo), além do Distrito Federal. Do total de amostras, 157 foram reveladas, representando os 30% de melhor pontuação. Ao final, foram selecionadas 16 amostras para representar as diferentes categorias a serem degustadas pelo público.

Foto: Jeferson Soldi

Dos 16 vinhos, 15 eram de vinícolas gaúchas, das cidades de Alto Feliz, Bento Gonçalves, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Pinto Bandeira e Santana do Livramento, e uma foi de Brasília, mostrando que a produção avança em novas regiões produtoras com qualidade. O presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), enólogo Ricardo Morari, reverencia o trabalho de toda a cadeia produtiva da uva e do vinho, responsável pelos avanços significativos dos últimos anos, que têm posicionado o Brasil como um dos principais produtores mundiais.

“A diversidade que só o Brasil possui tem nos levado à mesa de consumidores do mundo todo. Além de vermos novas regiões produtoras surgirem no país, acompanhamos projetos incríveis de alta qualidade em todas as partes. É lindo de ver nosso país, tão diverso, avançando na cultura do vinho. A prova é a Safra 2023, que nos apresentou vinhos excelentes, com características próprias e um futuro sem volta: o reconhecimento aqui e lá fora”, comemora. Morari destaca ainda a identificação cada vez maior de diferentes castas entre as amostras, bem como técnicas de produção inovadoras como a dupla poda, por exemplo.

Os 16 enólogos das 16 amostras representativas da Safra 2016, da esquerda para a direita: Fabiano Demoliner (São João), Adriano Miolo (Miolo), Flávio Zílio (Aurora), Gilberto Simonaggio (Almadén), Marcos Vian (Brasília), Ricardo Morari (Garibaldi), Leandro Santini (Perini), Daiane Badalotti (Salton), Daniel Salvador (Salvattore), Bruno Munhoz (Chandon), Carlos Abarzúa (Geisse), Moisés Giacomin (Hortência), Paulo Venturini (Venturini), Bruno Motter (Don Guerino), Anderson Schmitz (Plátanos) e Vanderlei Gazzi (Gazzaro). Foto: Jeferson Soldi.

A Avaliação Nacional de Vinhos foi transmitida ao vivo no YouTube. Pessoas espalhadas por várias regiões do país receberam o kit com as 16 amostras e provaram junto aos degustadores técnicos. Em Brasília, no restaurante Teta Cheese, um grupo se reuniu para acompanhar este evento, e eu estava presente.

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Sem a menor dúvida, o momento mais emocionante da avaliação nacional de vinhos foi a amostra n. 15, da variedade de uva syrah, da Vinícola Brasília. O reconhecimento do vinho Syrah Monumental (1960) da Vinícola Brasília na Avaliação Nacional de Vinhos é um marco importante, não apenas para a vinícola, mas também para a região em desenvolvimento na produção de vinho. O fato de ser um vinho de dupla poda, com colheita no outono/inverno, destaca a singularidade desse vinho e a influência do terroir específico do Distrito Federal, caracterizado por altitude, amplitudes térmicas e condições especiais de solo e microclima.

Foto: Vini Carvalho

A limitação da pré-venda a 1960 garrafas, em homenagem ao ano de inauguração de Brasília, adiciona um elemento exclusivo e histórico ao vinho, tornando-o ainda mais especial para colecionadores e apreciadores.

Esse reconhecimento não apenas enaltece a vinícola, mas também destaca a crescente qualidade e diversidade da produção de vinho no Brasil, mostrando que o país está ganhando destaque no cenário mundial de vinho, além de estimular a apreciação e o interesse pelo vinho brasileiro.

Foto: Vini Carvalho

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