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Sonhar é preciso

Leitura é uma poderosa saída

Por Theófilo Silva 06/07/2023 12h04

Shakespeare diz, em Sonho de uma Noite de Verão, que “Os apaixonados e os lunáticos têm cérebros ardentes, fantasias visionárias que percebem o que a fria razão jamais poderá compreender”. É sobre a capacidade de sonhar, de onde podemos encontrar fontes para que isso ocorra e da enorme importância que os sonhos têm nas nossas vidas é que quero falar.

Somente uma fração ínfima da população mundial – nunca a humanidade gozou de fartura em bens materiais maior do que agora – pode ter acesso a quase tudo que o desejar. Pouquíssimos podem ter residências espalhadas pelo mundo, casas de campo, jatinho, helicóptero, iate, vários prédios de sua propriedade, obras de arte, Ferraris, etc. Por mais que a maioria das pessoas lute desesperadamente por isso. Mesmo nos lugares mais ricos do mundo, Londres, Los Angeles, Singapura, raríssimas pessoas têm o privilégio de “ter tudo”. Simplesmente, porque o planeta não tem recursos naturais suficientes para isso.

Como os miseráveis, pobres, classe média alta e ricos representam 99% da população mundial, o que consola esse povo para eles não “morrerem de inveja” desse 1% restante, que tem tudo? Ah, sim, tem também um minúsculo grupo de homens públicos, presidentes, governadores, ministros e outros cargos, que o Estado oferece acesso a muitos privilégios que só os milionários têm. Mas isso é provisório.

Então, que restaria como consolo e diferencial, além de viver a vida com suas alegrias e tristezas, dentro de sua classe social, para essa enorme massa que não tem acesso ao que os milionários têm? Digo isso, porque pessoas se embrutecem, se corrompem, vendem a alma, o pai e a mãe, matam se for necessário, para enriquecerem. Não que riqueza material seja garantia, certeza de felicidade ou de bem estar.

Aí, pergunto o que é que pode transformar uma pessoa sem muito dinheiro tão rica quanto um milionário saudável, desses que sabem usufruir da vida de forma sensata? Diria que a Força da Imaginação, a capacidade de se transportar para outras situações, no espaço e no tempo. Aquilo que “a fria razão jamais poderá compreender”, como disse Shakespeare. É aí que entra o poder da arte, a capacidade de criar – benção concedida a raríssimos – e a Leitura, esse tesouro acessível a todos, que tem o poder de transformá-lo num milionário. Algumas pessoas têm as duas coisas: a imaginação de Joan Rowling, criadora de Harry Potter, a transformou numa bilionária. Os artistas e os empreendedores pertencem a essa categoria especialíssima.

Há poucas coisas tão maravilhosas quanto ler, entrar em um livro e viajar para lugares que você nunca imaginou que existissem. Sem contar a quantidade de informações e de cultura que se adquire. Faz diferença para mim, contemplar as Portas do Paraíso do batistério da Igreja de Nossa Senhora das Flores, em Florença, na Itália, e discorrer, por horas, sobre suas formas e de quando e porque ela foi construída; ou olhar para igreja de Santa Sofia em Istambul (Constantinopla), na Turquia, e contar a história do mundo nos últimos dezessete séculos a partir dela. Isso muitos milionários não conseguem fazer. Mas um ávido leitor sabe, e nessa hora ele é mais do que um milionário texano. Assim, um milionário ignorante olhando para a Catedral de São Pedro, em Roma, não passa de um jumento olhando para uma igreja.

A arte nos torna sublimes. A dança, teatro, música, cinema, têm o poder de nos elevar como seres humanos. Mas a forma mais gratuita de libertar a imaginação é a leitura, acessível até mesmo aos miseráveis. Se você não é ator de Hollywood, escritor de sucesso, estadista, Cristiano Ronaldo, Larry Page ou Bill Gates, recomendo a forma mais fácil e cômoda de se sentir grande, no conforto de sua casa, sem correr nenhum risco: leia um bom livro. Aprenda a sonhar!

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Diz Virgínia Woolf que: “Quando chegar o dia do julgamento e os grandes conquistadores, advogados e estadistas se apresentarem para receber suas recompensas, o todo-poder dirá, não sem uma certa inveja, quando nos vir aproximando-nos com nossos livros debaixo do braço: “Vejam, esses não precisam de recompensas. Nada temos aqui para dar a eles. Amaram ler.”






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