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Aprendizagem ou compulsão à repetição?

“Nossas experiências nos sucedem; nossas antipatias nos precedem.”

“Nossas experiências nos sucedem; nossas antipatias nos precedem.”

Leo Longanesi

O conceito de “compulsão à repetição” de Freud é talvez um aviso e um desalento que o pai da psicanálise escreveu. Repetir é uma ação de aprendizagem, sempre, pois é no sempre fazer, refazer, inovar e expandir, que a pessoa alastra seus conhecimentos e suas descobertas tanto no plano científico como pessoal. Refiro-me aqui ao fato de “repetir” como ferramenta do ato criativo, por exemplo: ler, reler, estudar arte, música, fazer ciência… atividades que sempre se retira proveito toda vez que se repete. Quando se sai de casa e, por várias questões se volta, nunca se é a mesma pessoa, a não ser que esse indivíduo não tenha aprendido com sua experiência.

Estamos diante da perspectiva de um novo governo, um governo que recebe o clamor da comunidade, principalmente naquilo que toca ao modo de gestar a Nação, de fazer Política de uma maneira madura, e de não repetir a velha conduta imperial, aristocrática, tipo “casa grande senzala” onde o binômio patrão e escravo fazem um concluio para a preservação da dominação, espoliação e manutenção do poder.

Já não se admite mais uma política baseada na perversão de conchavos entre governo, grupos partidários, empresariais, onde a finalidade é atender voracidade e gula pelo enriquecimento ilícito, tirando do poder público, do erário e dos impostos pagos pela população, toda uma riqueza de bilhões e bilhões que enchem os bolsos da classe dominante. Acabamos de sentir na pele, outra vez, o grande assalto denunciado pelas operações federais a que fomos submetidos por facções partidárias e empresariais deixando nosso Brasil novamente falido. Compulsão à repetição é um conceito freudiano que aponta para atos destrutivos, contrários à criatividade e ao crescimento. Repete-se para não mudar e, acima de tudo, para manter os benefícios pessoais, narcísicos, egocêntricos, de pessoas e grupos de pessoas em direção ao acumular riqueza e poder. Somos testemunhos da forma de governar fazendo alianças perversas que têm todos os desejos menos aqueles preocupados em benefício da população, do povo, da comunidade e da justiça social.

Ainda sabendo da necessidade que todo governo não governa sem alianças, sabemos também que a questão é a qualidade dessas alianças. É tempo de meritocracia, de pensar socialmente, de abrir mão no poder, de transformá-lo em vantagens de pequenos grupos. Sem reforma política continuaremos a ser uma nação de terceito mundo, vivendo às custas de um comportamento psicótico onde a alegria é o carnaval, o futebol e o samba, resquícios do “Banzo”, sofrimento depressivo dos nossos irmãos africanos. “Odeia ou ama, apenas para não ficares sentado de braços cruzados. Depois de amanhã, o mais tardar, começarás a odiar-te, porque ludibriaste a ti mesmo, conscientemente. Resultado: uma bolha de sabão e a inércia. Ah, senhores, é possível que me considere um homem inteligente apenas porque, em toda a vida, não pude começar nem acabar coisa alguma. Admitamos que eu seja um tagarela, um tagarela inofensivo, magoado, como todos nós. Mas que fazer, se a destinação única e direta de todo homem inteligente é apenas a tagarelice, uma intencional transferência do oco para o vazio?” Fragmento de Fiódor Doistoiévski em seu belo e triste livro “Memórias do Subsolo”, 1864, mostrando que no inconsciente e consciente de todos os homens existem demônios, demônios vorazes, sanguinários, vampirescos, capazes de sugarem seus semelhantes pelo prazer de “acúmulos de bens materiais”.

É hora de aproveitar as experiências passadas para não repetir o “festival de besteiras que assolam esse país” nas áreas da política, do governo, às vezes ainda da justiça. Ah, se Stanislau Ponte Preta ainda estivesse vivo!

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