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Frutos da organização

O Fortaleza é a prova de que boa gestão dá resultado. No próximo dia 28, o clube terá a chance de fazer história

Foto: Mateus Lotif/FEC

Quem em sã consciência poderia imaginar que um time que disputava a Série C do Campeonato Brasileiro em 2017 pudesse ser um dos melhores times do país? Nem mesmo o mais otimista torcedor do Fortaleza acreditava nisso, principalmente após ver o Leão do Pici — apelido em referência ao bairro da capital cearense — capengar na terceira divisão entre 2010 e 2016, antes de conquistar o seu acesso. Seis anos depois de ficar com o vice-campeonato daquela temporada, a equipe chegou à final da Copa Sul-Americana após despachar o Corinthians nas semifinais. A decisão será no próximo dia 28, em Punta del Este, no Uruguai.

Logo no seu retorno à Série B do Brasileiro, o Fortaleza mostrou que gostaria de se reorganizar. Após contratar Rogério Ceni como técnico, o clube mudou sua mentalidade. O ex-goleiro do São Paulo sabia que um clube só poderia ir adiante, pensar grande, se tivesse um projeto sólido no futebol e investimentos para treinamentos. No primeiro ano à frente da equipe, a diretoria do Fortaleza apostou na melhoria do CT Ribamar Bezerra, localizado na cidade de Maracanaú, região metropolitana de Fortaleza. Houve a construção de um campo auxiliar, uma nova academia, além de um alojamento com 30 apartamentos e outras melhorias.

Dentro de campo, o Fortaleza mostrou os resultados quase que de maneira imediata. Após ficar anos e anos longe da segunda divisão nacional — caiu em 2009, obteve o acesso com um título, que rendeu a manutenção do treinador. Ceni até chegou a deixar o clube para comandar o Cruzeiro, mas depois retornou ao tricolor, só saindo após aceitar uma proposta do Flamengo. Após a saída do ex-são-paulino, contou com dois técnicos (Marcelo Chamusca e Enderson Moreira) até acertar com o argentino Juan Pablo Vojvoda, que já está há mais de dois anos à frente da equipe.

Com exceção da temporada de 2020, quando o time lutou contra o rebaixamento, em função da pandemia e também da saída de Rogério Ceni, o Fortaleza tem obtido boas colocações na Série A. Em 2019, ficou na nona posição — a três pontos de uma vaga na Libertadores; em 2021, obteve a melhor classificação do time em sua história, terminando em quarto lugar; no ano passado, ficou em oitavo, indo para a principal competição do continente através da fase preliminar, mas caiu ali, obtendo um dos postos na Sul-Americana, onde tem sido soberano. Na atual temporada, está na nona colocação, mas a seis pontos do vice-líder Bragantino. Tais resultados vão manter o Leão do Pici na elite por seis temporadas seguidas. É o recorde de uma equipe do Nordeste — feito quase alcançado por Sport (2014-2018); Bahia (2017-2021); e Ceará (2018-2022).

Mas o Brasileiro deve ficar em segundo plano nas próximas três rodadas, visando justamente a final da Copa Sul-Americana. A equipe pode ser a primeira de sua região a conquistar um troféu internacional. Atualmente, já igualou o CSA, de Alagoas, primeiro clube nordestino a disputar uma final continental através da última edição da Copa Conmebol, em 1997, quando acabou derrotado pelo Talleres de Córdoba (Argentina). Para efeito de curiosidade, esse mesmo CSA foi o responsável pelo vice-campeonato do Fortaleza na Série C e chegou a subir para a B com o Leão do Pici em 2018. Contudo, diferentemente do rival nordestino, os alagoanos voltaram a disputar a terceira divisão, ficando apenas na 12ª posição, fora da zona de classificação à segunda fase.

O Fortaleza merece o título por tudo que plantou nos últimos anos. Pode-se dizer que é uma das poucas equipes sólidas do futebol nacional. Hoje, já consegue contratar jogadores estrangeiros, tem uma boa conta bancária e uma gestão de encher os olhos. O título da Sul-Americana ficará em boas mãos caso vá para a capital cearense. Torçamos para que o Leão do Pici obtenha o êxito diante da LDU de Quito, no próximo dia 28 de outubro.

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