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Educar é ação

Entrevista sobre Educação com Ana Cañas

Philip Ferreira

Publicado

em

Ana Cañas. Foto: Fernanda Carvalho
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Ana Cañas (São Paulo, São Paulo, 1980). Cantora e compositora. Formada em artes cênicas pela Escola de Comunicação de Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), interessa-se pela música nos tempos da faculdade.

Em 2005, protagoniza o musical Mais Ardida que Pimenta, baseado na obra de Elis Regina (1945-1982), encenado no Teatro Laboratório da ECA.

1-O que é Educação para você, Ana?

Educação pra mim é tudo que alavanca a alma. é ter a cognição desenvolvida pelos conteúdos que nos transformam de forma sensível e profunda. isso inclui história, memória, afetividade, ciências, conhecimento do mundo. pessoalmente, acho que o sistema escolar hoje não contempla aspectos fundamentais de uma sabedoria mais ampla, como por exemplo, noções de astronomia, cultivo da terra, experiências com a natureza, todas as artes, intuição, espiritualidade, etc. damos muito importância a uma formação racional e competitiva que insere as pessoas num mercado capital exploratório, pouco fraterno ou voltado para o coletivo.

2- Quais as melhores lembranças tens do período escolar?

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Tenho muitas, a experiência escolar me transformou de forma bastante peculiar. na adolescência, formamos um grupo de teatro independente na escola e o sucesso da primeira peça foi tanto que eles derrubaram a feira de ciências anual e instituíram um festival de teatro. foi maravilhoso, uma pequena semente que brotou com muita força. ali pude entender como a arte nos transforma (individual e coletivamente).

Também tenho memórias dolorosas de bullying, sobre a minha sexualidade e pude entrever como a sociedade é preconceituosa e cerceadora da liberdade individual.

Ana Cañas. Foto: Fernanda Carvalho

3- Como a Educação contribuiu na sua formação pessoal/profissional?

Bastante. foram experiências fundamentais, de romper barreiras, entender a sociedade coletiva, defender a arte e lutar pelo que acredito. tenho muita dificuldade com hierarquias instituídas e abusos de poder, e na escola isso se dá de forma quase natural.

Me fortaleci e me conheci, entendendo as idiossincrasias pessoais e a dilética social.

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4- O Brasil precisa de uma educação que promova o seu desenvolvimento integral, entendido como social, econômico e político. Estamos estagnados há décadas e cada vez mais dissociados do mundo desenvolvido. Nossa atividade econômica é mais e mais dependente de bens e produtos com pouca intensidade de conhecimento e tecnologia. Como a Educação pode transformar o mundo?

Eu acredito que a educação é a ferramenta mais eficaz de transformação social e por isso mesmo, ela é tão controlada (e controladora).

Se soubéssemos cultivar, através da experiência escolar, a miríade vasta da alma humana – filosofica e cognitivamente, teríamos uma sociedade muito diferente, com certeza.

5- Para finalizar, recomende um livro para nossos leitores.

Eu gosto muito de um livro chamado “mulheres que correm com os lobos” da clarisse pinkola estés. ele me transformou muito e até hoje converso com ele dentro de mim. fala sobre o sagrado feminino institivo, resgatado através de contos que permeiam as culturas no inconsciente coletivo. é maravilhoso!

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