A preocupação com uma onda de contestações judiciais levou o Tribunal Superior Eleitoral a regulamentar o uso da inteligência artificial na propaganda eleitoral.
Entre as medidas adotadas estão a obrigatoriedade de identificação de conteúdos produzidos ou alterados por IA, a proibição do uso de deepfakes para manipular a imagem ou a voz de candidatos e a previsão de punições que podem chegar à cassação do mandato em casos graves.
Apesar da regulamentação, as normas representam apenas parte da solução para um problema que evolui em ritmo acelerado.
O especialista brasiliense em comunicação política Marcelo Senise (foto), que já trabalhou com vários partidos políticos – e, mais recentemente, no Podemos –, afirma que a utilização da inteligência artificial nas eleições deste ano ocorrerá em um patamar superior ao observado há dois anos.
“Em 2024, a inteligência artificial ainda aparecia muito como experimento, novidade e teste. Agora, ela entra no processo eleitoral como arma estratégica de escala, com muito mais sofisticação, velocidade e poder de dano”, avalia.
Segundo Senise, a tecnologia deixou de ser uma ferramenta acessória e passou a integrar a própria estrutura das campanhas e das disputas narrativas.
“Hoje ela pode ser usada para segmentar emoções, personalizar ataques, clonar voz, fabricar vídeos, adulterar contextos e acelerar operações de desinformação em escala industrial. Estamos diante de uma mudança de patamar no risco eleitoral”, observa.