Na avaliação do presidente da CPI dos atos antidemocráticos da Câmara, deputado Chico Vigilante, o depoimento desta segunda-feira, 9, prestado pelo major José Eduardo Natale de Paula Pereira, comprovou que a equipe do governo não abriu as portas do Planalto para os invasores de 8 de janeiro.
Para Chico Vigilante, a fala do major Natale, que era coordenador de segurança do Gabinete de Segurança Institucional foi sincero e esclarecedor.
Mostrou, segundo o distrital, que o major correu até risco de vida ao encontrar os invasores e acrescentou dados relevantes para as constatações da CPI. Natale foi exonerado do cargo após a divulgação de imagens das câmeras de segurança do prédio, que o mostram permitindo que os invasores bebessem água.
O major negou qualquer intenção de facilitar a ação dos invasores: “eles estavam bastante hostis, se eu negasse a água, a situação poderia se inflamar, ele [um dos manifestantes] estava a uma porta do gabinete presidencial. O esforço foi para diminuir os ânimos e dispersar o local”.
O major narrou que, a partir do momento em que os invasores tomaram o Planalto, retirou sua arma com o intuito de “preservar vidas” e passou a negociar verbalmente pedindo que deixassem o local.
Ele contou ainda que alguns mais exaltados pediam que ele indicasse onde ficava a sala presidencial, mas que conseguiu despistá-los.
Natale lembrou que os cargos de decisão do GSI foram mantidos no atual governo porque a função exige uma capacitação militar específica que dura alguns anos para ser concluída, e que a troca completa do quadro poderia comprometer a segurança institucional da presidência.
Natale afirmou ainda que sua atuação no 8/1 já foi alvo de investigação completa pela Polícia Federal, inclusive com quebra de sigilo, e que nenhuma atitude ilegal foi identificada.
“Achávamos que seria um domingo como outro qualquer”, disse Natale. Ele relatou que não recebeu de suas instâncias superiores no GSI informações acerca da possibilidade de invasão do prédio do Palácio do Planalto.
Ele não respondeu aos distritais sobre possível inoperância do comando do gabinete, afirmando que sua atuação era estritamente operacional e que não participava das reuniões do alto comando.
…mas depois houve bate-boca entre os distritais
Esse quadro, porém, foi contestado pelo pastor Daniel de Castro, crítico da do ex-comandante do GSI, general G Dias, que segundo ele teria represado informações prestadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).
A omissão, segundo o distrital Daniel, foi culminante para a invasão do Planalto. “A sociedade brasileira já sabe que o ministro responsável pela segurança institucional omitiu os alertas recebidos pela ABIN”, declarou o distrital. Daniel criticou ainda o adjetivo de “terroristas” utilizado pelo presidente Chico Vigilante para classificar os invasores.
O distrital Thiago Manzoni classificou como “uma emboscada” às equipes operacionais do próprio GSI o represamento, por G. Dias, das informações que vieram da ABIN. O distrital também atribuiu ao ex-GSI a culpa pela invasão. “No Palácio do Planalto tem um responsável, que é o general do Lula”, declarou Manzoni. Já a distrital Paula Belmonte disse que, para ela, “está claro que havia infiltrados”.
Paula reproduziu uma entrevista do presidente Lula, de janeiro deste ano, em que ele afirmou acreditar que “alguém abriu as portas do Planalto”. Segundo a distrital, esta seria mais uma das provas de que os atos de vandalismo não foram praticados por patriotas, mas por pessoas infiltradas nas invasões.
A distrital ressaltou ainda uma fala do próprio depoente, que classificou os invasores em três grupos: pessoas que permaneceram em estado de choque, sem agir; pessoas que depredavam o prédio e atacavam a polícia; e um terceiro grupo que tentava conter os vândalos. Segundo Belmonte, há pessoas do terceiro grupo presas de forma injusta.
“Uma parte estava fazendo escudo para que os infiltrados não atacassem a polícia militar”, afirmou a parlamentar.