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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

CPI terá decisão em linhas partidárias

Os demais estão dispostos a invocar uma tese levantada pelo relator João Hermeto, a de não indiciar quem não tenha aparecido na comissão

Eduardo Brito

25/10/2023 23h11

Já está claro que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Legislativa sobre os atos antidemocráticos fará o relatório final de acordo com as linhas partidárias de seus integrantes.

Apesar de alguns choques havidos entre os distritais que participam das discussões, em especial do presidente Chico Vigilante com os distritais Daniel de Castro e Paula Belmonte, que é suplente, não se espera um confronto direto na hora de se elaborar o relatório. Haverá negociações, mas prevalecerá a força da representação dos parlamentares.

É possível que os distritais afinados com o Planalto tentem o indiciamento de integrantes do governo anterior, até mesmo do ex-presidente Bolsonaro. Não está previsto. Os demais estão dispostos a invocar uma tese levantada pelo relator João Hermeto, a de não indiciar quem não tenha aparecido na comissão. O conceito, porém, deve se tornar mais amplo, excluindo outras autoridades federais.

No entanto, há forte pressão para se indiciar o general Gonçalves Dias, o GDias, que se complicou ao depor. Haverá uma contrapartida, pois os governistas cobrarão o indiciamento do também general Augusto Heleno, outro que se enrolou.

Em linhas gerais, porém, deve prevalecer o princípio de indiciar só quem se comprometeu perante a CPI. Para isso valerão os votos dos distritais Daniel de Castro, Jaqueline Silva, Robério Negreiros, Joaquim Roriz Neto e o relator João Hermeto.

Se forçarem um confronto nesses termos, o presidente Chico Vigilante, do PT, e o distrital Fábio Félix, do PSOL, tendem a ficar isolados. O mais provável, porém, é o caminho da negociação, pois desde o início dos trabalhos da CPI, a distribuição das forças políticas é jogo jogado.

Quando confronto não é um bom negócio

Uma demonstração de que não se está em um bom momento para confrontos foi dada nesta quarta-feira, 25, no plenário do Senado. O governo Lula jogou todas as suas fichas no nome de  Igor Roberto Albuquerque Roque para a Defensoria Pública da União. 

O relator de seu processo foi um dos senadores petistas mais próximos ao presidente Lula, o pernambucano Humberto Costa. Não é dos mais populares entre os colegas, mas quando arregaça as mangas sabe-se de onde vem a ordem. Humberto Costa chegou a pedir para antecipar a votação, temendo o esvaziamento da sessão.

O presidente Rodrigo Pacheco assentiu. Quando se abriu o painel com o resultado, veio a inesperada derrota do governo Lula. Igor teve só 35 votos a favor, contra 38 e uma abstenção. Melhor negociar.

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