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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

Confronto entre Flávio Dino e Bia Kicis

Não podia dar em outra coisa. Dino foi provocado por deputados bolsonaristas e respondeu com outras provocações

Eduardo Brito

26/10/2023 23h48

Após se negar por duas vezes a comparecer a comissões da Câmara dos Deputados, o ministro da Justiça, Flávio Dino, finalmente decidiu a aparecer nesta quinta-feira, 26. E escolheu bem a Comissão de Fiscalização e Controle, presidida pela brasiliense Bia Kicis.

Não podia dar em outra coisa. Dino foi provocado por deputados bolsonaristas e respondeu com outras provocações. Entrou em confronto, previsivelmente, com a própria Bia. Enquanto parlamentares da oposição cobravam um posicionamento do chefe da pasta sobre questões relacionadas à segurança pública, o grupo do governo apresentava uma série de questões de ordem para travar a discussão.

“A Comissão de Fiscalização não pode ser uma subcomissão da Comissão de Segurança”, disse o petista Rubens Junior, após alfinetada do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira.

Defesa de função

Ao criticar a recusa do ministro a aparecer na Comissão de Segurança, para a qual havia sido convocado, Nikolas disse que Dino estava mais focado “em fiscalizar oração de pastor do que os crimes que acontecem no dia a dia”.

O ministro avisou então que apenas responderia às perguntas relativas aos temas dos requerimentos. “É a primeira vez que vejo um ministro sem medo de ir à Maré sem escolta, mas com medo de perguntas”, alfinetou Nikolas Ferreira (PL-MG), autor de um dos três requerimentos.

O ministro ameaçou evocar o regimento da Casa por “quebra de decoro” e o clima ficou tenso, inclusive porque Bia Kicis, inspirada para entrar na briga, resolveu intervir.

“Nikolas disse que eu e o governo Lula somos levianos. Se houver mais uma injúria que viole o decoro parlamentar, eu vou zelar pelo regimento da Casa”, afirmou Dino. Aí foi interrompido por uma furiosa Bia Kicis, que lhe lembrou da sua posição.

“Ministro, o senhor pode deixar que eu como presidente da comissão estou zelando. O senhor está ameaçando agora fazer a minha função”, disse a deputada.

E as imagens não aparecem

Os requerimentos pediam que o ministro comentasse sobre a recusa do envio de imagens das câmeras do Ministério da Justiça durante invasão do 8 de janeiro à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), supostas “práticas abusivas” contra as big techs, suspeita de interferência na Polícia Federal e cortes no Orçamento de 2024 para o combate à criminalidade.

Dino mais uma vez fugiu da história das fitas. Apenas disse que as imagens do Ministério da Justiça não adicionariam nada relevante ao “vasto material probatório” contra os ataques golpistas do 8 de janeiro.

Lógico, recebeu aí mais um cutucão de Bia Kicis. Dino defendeu o projeto de lei das Fake News e disse não dialogar com delegados que presidem inquéritos na Polícia Federal.

Toma lá, dá cá

O clima esquentou ainda mais quando Flávio Dino ouviu acusações de deputados bolsonaristas que o acusaram de ter relação com o crime organizado no Rio de Janeiro.

“Um dos maiores erros políticos que houve no Rio de Janeiro foi o incentivo às milícias. As milícias foram incentivadas por políticos. Protegidas por políticos”, iniciou o ministro.

“Eu nunca homenageei miliciano, eu não sou amigo de miliciano, não sou vizinho de miliciano, não empreguei no meu gabinete filho de miliciano, esposa de miliciano. E, portanto, não tenho nenhuma relação com o crime organizado no Rio de Janeiro”.

Dino fez referência indireta ao fato de que Danielle Mendonça da Nóbrega, ex-mulher do miliciano Adriano da Nóbrega, foi empregada no gabinete de Flávio Bolsonaro, no período em que o filho do ex-presidente Bolsonaro era deputado no Rio de Janeiro.

Em 2019, Adriano da Nóbrega foi apontado pelo Ministério Público como o líder de um grupo chamado Escritório do Crime, responsável por assassinatos na região. As acusações apontaram que Adriano fez parte de uma milícia em Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital Adriano da Nóbrega morreu em 2020, em confronto com a polícia em uma operação na Bahia.

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