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Uma experiência nada pretensiosa

O texto de hoje é sobre o Modesto Pretensiosamente, que acaba de abrir sua segunda unidade na cidade

Por Max Cajé 08/12/2023 3h31
Foto: Max Cajé

Para quem ama sair para comer e vê a gastronomia como algo além de um simples prato de comida, certamente encontrar casas que entreguem uma experiência conta muitos pontos na fidelização e na indicação.

Na minha lista já constam a Casa Baco, Almería, Le Birosque, Taypá e Gran Bier, que ganharam menções anteriores por aqui, e também a Ticiana Werner, Nolina e Rebu, sobre os quais falarei em breve.

Mas o texto de hoje é sobre o Modesto Pretensiosamente, que acaba de abrir sua segunda unidade na cidade, agora no Lago Norte. Localizada no CA, exatamente no ponto onde durante anos funcionou a boate roqueira Landscape (saudosistas lembrarão), a operação se apossou de todo o espaço, transformando o Modesto numa experiência para cada ambiente em que o cliente se sentar. Tem o terraço da entrada, com mesas de jardim que convidam a beber e beliscar, tem o salão interno, climatizado, com aquele charme para uma noite de vinho e pizza, e tem a varanda do piso superior, mais intimista e aconchegante para casais. Mal passei por eles e já me vi ali em cada canto, curtindo diferentes noites e tornando-me cliente fiel daquele lugar.

Aí chegou a comida. A proposta que conheci foi de um menu fechado, com reservas limitadas, que o casal de empresários, Nay Branquinho e Raphael Franco, quer implementar na casa, em ocasiões esporádicas. E rapaz… uma garfada na polenta cremosa, ovo pochê com uma gema perfeita, shiitake, azeite trufado e ervas, e já senti aquele quentinho no coração. Literalmente aquela “comida que abraça” – apesar de eu odiar essa expressão – não me veio outras palavras para adjetivar na hora. Ali, sim, eu me vi retirando minha carteirinha do fã clube de Nay Branquinho, chef, empresária, mixologista, pizzaiola, uma mulher F*DA, desculpe o palavrão.

Depois, para mostrar suas inspirações italianas, ela deu uma de nonna, servindo uma mega porção de fettuccine com guanciale, um molho de tomate bem pedaçudo e polpetone cheio de nuances de sabores e texturas. Perceba que em momento algum ela se vende como “A” italiana, mas entregou um prato que facilmente supera várias casas rotuladas como tal por aí.

Para encerrar, creme de chocolate branco, geleia de morango, gin, crumble de amêndoas e sal maldon. Para o meu paladar de doces menos açucarados, a combinação ficou com uma pegada mais “formiguinha”, mas preciso destacar o creme, que sozinho já estava incrível.

Ah, o Modesto também tem drinques e, obviamente, eu não poderia deixar passar o Negroni, o norte por onde conheço se o restaurante tem uma coquetelaria decente para clássicos. A resposta, sem nenhuma surpresa, é “sim”. Equilibrado, mas com potência e um fundo ainda defumado do limão desidratado que a casa faz.

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Saí de lá com a impressão de que a modéstia do nome vem muito da personalidade dos donos. Tudo ali é milimetricamente pensado, executado a ferro e moldado para entregar o melhor para o cliente, sem um pingo sequer de pedância, auto-referenciação exacerbada ou aquela decoração quase intimidadora que alguns endereços têm. Na esquina do CA, que carrega um gostinho de saudade, o Modesto se alojou para dar outra vida ao ponto, um respiro de que a cidade segue se transformando. E, no caso dele, para continuar fazendo o público feliz.






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