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Navegar nas complexidades da era digital e da globalização é o novo desafio da ciência da psicologia

Infelizmente, o ensino da psicologia no Brasil não acompanha o mundo, deixando a formação de novos psicólogos muito a desejar

Foto: Cottonbro Studio/Pexels

A psicologia enquanto disciplina dedicada ao estudo da mente e do comportamento humano enfrenta uma série de desafios no século XXI, período marcado por rápidas transformações sociais, avanços tecnológicos exponenciais e uma crescente interconexão global. Neste contexto dinâmico, os profissionais da psicologia são convidados a adaptar suas práticas e teorias para abordar as complexidades emergentes e fornecer respostas eficazes aos desafios contemporâneos.

Ocorre que, infelizmente, o ensino da psicologia no Brasil não acompanha o mundo, deixando a formação de novos psicólogos muito a desejar. Como se não bastasse todo esta evolução, ainda temos em nosso país uma psicologia psicossocial, em contraste com o mundo, onde a psicologia é biopsicossocial.

Uma das questões mais prementes na psicologia do século XXI é a influência da tecnologia na saúde mental. O uso massivo de dispositivos digitais, redes sociais e aplicativos relacionados ao tema redefine a forma como as pessoas se relacionam consigo mesmas e com os outros. O desafio reside em equilibrar os benefícios dessas ferramentas com os riscos associados, como a dependência tecnológica e o aumento dos casos de ansiedade e depressão relacionados ao uso excessivo das mídias digitais, e isso já sabemos não é apenas uma questão social ou psicossocial, e sim uma questão que envolve diversos mecanismos cerebrais, como, por exemplo, todo sistema límbico.

Dentro da questão social, temos um mundo plano, onde, todos os dias, pessoas das mais diversas culturas e de vários países são aportados. Assim, neste planeta cada vez mais interconectado, a psicologia enfrenta o desafio de abraçar e entender a diversidade cultural. A globalização trouxe consigo uma maior interação entre seres humanos, demandando que os psicólogos desenvolvam abordagens inclusivas e culturalmente sensíveis. A capacidade de compreender as nuances culturais é essencial para proporcionar cuidados de saúde mental eficazes e personalizados.

Este, no meu entender, é outro ponto delicado em nosso já fragilizado modelo de aprendizado, uma vez que pouco se estuda a respeito das culturas, e quando se estuda, temos agregado o peso da ideologia, que, inclusive, apresenta em nosso cenário aberrações diárias defendendo pautas que sequer lhe são familiares, por apenas ouvir falar, ou pior, somente imaginar o que seria o correto de se falar.

Aqui, acredito ser importante deixar claro, em especial para os militantes de plantão, que processos ideológicos na psicologia são iguais aos processos existentes nas demais áreas do saber, ou seja, são tanto de direita como de esquerda. Não existe uma única bandeira para a imbecilidade ideológica (lembrando que o termo imbecilidade se refere ao descrito no dicionário para uma pessoa imbecil).

Hoje ainda perdemos tempo nos apequenando com pautas cujo teor está mais para sindical do que para o cuidado com a saúde mental dos trabalhadores, por exemplo. As transformações no mercado de trabalho, incluindo a ascensão do trabalho remoto, a automação e a redefinição das relações laborais, apresentam desafios psicológicos únicos.

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Questões relacionadas ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal, adaptação a ambientes de trabalho virtuais e gestão do estresse associado às mudanças constantes no mundo do trabalho exigem uma reavaliação das abordagens tradicionais da psicologia organizacional.

Entretanto, o que vemos em nossa própria categoria é um modelo ultrapassado, quase que escravocrata disfarçado de oportunidade, com diversas clínicas explorando o trabalho do psicólogo e lesando seus clientes com sessões de 30 minutos e pagamentos de aproximadamente R$ 25 a sessão.

Não que exista um piso definido, apesar da tabela de referência publicada pelo Conselho Federal de Psicologia. (CFP). Entretanto, para alguém que, em média, gasta mais de 100 mil reais em sua formação, receber R$ 25 por sessão chega a ser constrangedor, afinal, serão necessárias cerca de 4 mil sessões e/ou 500 dias para repor o valor gasto apenas com as mensalidades pagas.

Mas acreditem, o nível de ideologia dominante é tão perverso que, além de não se ensinar corretamente o empreendedorismo, também não existe por parte dos conselhos uma pauta que defenda a ideia de fortalecer o processo empreendedor, buscando que os psicólogos montem seus próprios consultórios, tenham uma forma mais simples de abrir suas próprias empresas, assinem planos de saúde, etc.

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A cada dia, o desafio aumenta e novas tecnologias são incorporadas, criando, em alguns casos, novas formas de terapia. Diante de tanta inovação, questões éticas e de privacidade emergem como desafios fundamentais. A utilização de inteligência artificial em diagnósticos e tratamentos, por exemplo, suscita preocupações sobre a confidencialidade e a integridade das informações pessoais. A ética profissional na psicologia do século XXI exige uma atenção rigorosa à proteção dos direitos e privacidade dos pacientes.

O século corrente apresenta à psicologia um panorama desafiador, mas repleto de oportunidades para inovação e crescimento. Ao abraçar a interseção entre tecnologia, diversidade cultural, mudanças no ambiente de trabalho e questões éticas, os psicólogos podem liderar o caminho para abordagens mais holísticas e eficazes no cuidado da saúde mental. Neste contexto dinâmico, a disciplina continua a evoluir, destacando a necessidade de uma abordagem adaptativa e progressista para enfrentar os complexos desafios da mente humana no século XXI e do atual cenário político partidário em que tem se transformado a ciência da psicologia.

Até a próxima…

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