Movida pela fé, vice-prefeita de Salvador e apaixonada pelo Brasil. É assim que Ana Paula Matos se apresenta em sua biografia no perfil oficial do instagram. Mas o que poucos sabem é que Ana Paula nunca teve a pretensão de iniciar uma carreira política. Desde cedo, mais precisamente aos sete anos, Ana começou a ser ativa na militância social e servia o povo por meio de projetos em sua igreja local. Filha de médico, com essa mesma idade, Ana já o ajudava a entregar remédios e organizar filas de atendimentos voluntários. “A verdade é que eu nunca tive projetos ou pretensões políticas. Minha história de vida pública foi construída na rua, com o povo”, acrescenta.

Já na adolescência, a baiana conta que participou de grupos de jovens que trabalhavam com o objetivo de ajudar instituições com crianças e idosos, e afirma que todas essas ações ajudaram a forjar sua luta. Ana afirma que só acredita em uma luta que tenha, na prática, ferramentas que gerem mudança. “Como professora e concursada da Petrobras, criei projetos de aulas e capacitação, pensando em solucionar problemas da companhia. Posso dizer que tenho uma história de trabalho de uma pessoa que é apaixonada e idealista, mas que realiza e é pragmática”, define.
Mudança de carreira e de vida
E como tudo começou? A professora relata que em 2013, ACM Neto tinha acabado de assumir a Prefeitura de Salvador e viu muitos problemas na educação, com isso, pediu a Bruno Reis uma indicação. “Como fomos colegas de faculdade e ele conhecia meu trabalho, ele me chamou e eu fui. Larguei minha carreira, fui cedida pela Petrobras e comecei a atuar como Diretora Geral de Educação de Salvador”, compartilha.

Enquanto esteve como Diretora Geral de Educação, Ana teve a responsabilidade de conduzir o Plano de Carreira, sempre honrando a causa dos professores. “Salvador foi a primeira capital com reserva de jornada, para que o professor possa preparar uma aula boa, de qualidade. Convoquei mais de 1000 professores de concurso, fazendo um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público, depois tive a oportunidade de ajudar a pensar nesse modelo que cria programas e projetos de inclusão das crianças nas escolas, e a gente domina inicialmente o Primeiro Passo, depois surgem outros projetos na cidade, como Pé na Escola, criação do Subúrbio 360, que ajuda muitos jovens da capital”, se orgulha.
Com todo esse histórico na Educação, Ana Paula foi convidada para ser subsecretária da secretaria de Promoção Social, Esporte e Combate à Pobreza, com Bruno Reis, secretário à época e hoje prefeito de Salvador. “Aprovamos o Conselho Municipal da Juventude, recursos para Fundo Municipal do Idoso. Com menos de 60 dias tiveram as chuvas terríveis de 2015, que resultaram em vidas perdidas. A gente teve que trabalhar dia e noite, organizar a equipe, liderando pelo exemplo, e isso me deu mais responsabilidade”, recorda.
As chuvas de 2015 que marcaram pelo sofrimento, trouxeram também muitas lições pessoais à Ana e reforçaram o seu compromisso com o povo. “Neste momento eu compreendi que não adiantava eu, aos 24 anos, já estar graduada em Administração, Direito, pós-graduada em Finanças, ter mestrado em Administração, se o que forja o caráter do homem e da mulher a capacidade de servir nos momentos mais difíceis e ter tranquilidade, responsabilidade, capacidade, maturidade. Fiz isso, graças a Deus, com a confiança de ACM Neto, com uma equipe muito trabalhadora”, reconhece.

De subsecretária, Ana Paula se tornou secretária, depois chefe de gabinete da vice-prefeitura, presidente do Instituto de Previdência Municipal – onde enfrentou uma reorganização, mudanças e diminuição de déficits previdenciários. Em seguida, se tornou Diretora Geral das Prefeituras-Bairro e secretária de Articulação Comunitária, cuidou da gestão participativa e aprovou a Lei do Ouvindo Nosso Bairro.
Em 9 de Julho de 2019, Ana Paula voltou para a Secretaria de Promoção Social, Esporte e Combate à Pobreza e logo depois veio a pandemia. “Até a pandemia, consegui fortalecer políticas para pessoas com deficiência, aprovação da Lei Municipal do SUAS, atuando sempre nas políticas sociais, entendendo que um dia mais de um processo em cima de uma mesa é um dia a menos de um atendimento de uma pessoa. Nessa lógica, sempre juntei o técnico com o humano. O sonho, o saber o que fazer, o propósito sempre esteve aliado ao saber como realizar com o pé no chão, ouvindo as pessoas, nas comunidades”, reforça.
O desafio da pandemia
Ana Paula conta que embora seja dos bastidores, tímida, a pandemia a obrigou a se reinventar. “Como eu diria às pessoas para ficar em casa enquanto recebia mensagens de idosos, pessoas com medo e assustadas? Tive coragem e com muito apoio da imprensa fui para as ruas para dizer à população ‘fique em casa porque tem uma política pública estabelecida. Ninguém vai perecer por falta de política pública’. Nós colocamos centros de distribuição de alimentos, hotéis sociais para população em situação de rua, fizemos fluxos com a saúde, para garantir, de fato, a assistência preventiva. Criamos lavanderias, ampliamos os serviços de restaurantes populares, e criamos auxílios, como Salvador Por Todos, SOS Cultura”, informa.

Inspiração de vida e luta
Ana Paula Matos, sempre cita a importância dos seus pais em toda sua trajetória de vida e militância. Mas enquanto uma mulher de fé, não deixa de enaltecer também, uma figura essencial que a inspira. “Eu tenho algumas inspirações em minha vida, como a minha mãe Sandra, meu pai Paulo, mas não posso deixar de citar Santa Dulce dos Pobres, conhecida como o Anjo Bom do Brasil, a nossa Irmã Dulce foi quem mais fez pelos pobres no estado. A sua história de vida, fé, força, resiliência e amor me inspiram todos os dias”, conclui.