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Analice Nicolau
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Carlos Busch, ex-lavador de caminhões, tornou-se um dos maiores executivos do Brasil; conheça sua trajetória

Para advisor de empresas a corrida não é contra outros, é contra a gente mesmo

Analice Nicolau

15/12/2022 11h00

Para advisor de empresas a corrida não é contra outros, é contra a gente mesmo

Carlos Busch tem 42 anos e é hoje um dos executivos mais renomados do país ou como prefere se intitular, advisor de empresas. Mas o sucesso de sua carreira foi fruto de muito esforço e dedicação. De origem humilde, aos 13 anos, lavava caminhões como forma de exercer uma profissão. Nascido em Lajeado, interior do Rio Grande do Sul, durante sua adolescência, sua mãe trabalhava como empregada doméstica e seu pai como consultor técnico de empresas de automóveis. Naquela época, ele não tinha muita perspectiva de futuro, pois vinha de uma família muito simples.

Aos 14 anos o gaúcho conseguiu seu primeiro emprego, ele era responsável pelo xerox de uma faculdade da cidade em que morava. Na sala em que trabalhava havia um computador, algo que era novidade para a época (1994), e seu desejo era o de interagir com este aparelho. Entretanto, Busch não tinha conhecimento técnico, por isso sempre pedia à sua família que o matriculasse em curso de informática, mas como não tinham recursos financeiros, isso não foi possível. Meses se passaram até que sua família conseguiu se organizar financeiramente e sua mãe o matriculou em um curso.

Busch ficou entusiasmado com a oportunidade, mas a felicidade durou pouco. Disseram para sua mãe que o primeiro passo para aprender a mexer em um computador era saber usar os dedos certos em cada tecla. Devido à informação que recebeu, ela escolheu o curso de datilografia, o que foi uma decepção para ele. Mas mesmo assim, fez o curso com toda a sua dedicação. Alguns meses depois Carlos foi selecionado para ser o digitador da informatização da biblioteca da faculdade, justamente por ser a pessoa que digitava mais rápido.

Após essa experiência, Busch buscou outros cursos de informática, estudou muito em casa sozinho e se tornou um analista muito respeitado dentro da instituição nos cinco anos que lá permaneceu, pois foi o responsável pelo desenvolvimento do software acadêmico. O rapaz do xerox se tornou a pessoa que mais entendia de informática na faculdade. Com 19 anos ele se desligou da universidade. Como no interior não havia muita opção, decidiu buscar um emprego na capital Porto Alegre.

Por três meses o gaúcho participou de um processo seletivo de uma empresa que era confidencial, foi selecionado para a vaga e descobriu que era para trabalhar na ONU (Organização das Nações Unidas). Durante um tempo foi consultor da instituição e desempenhava funções que ajudavam os governos. Posteriormente, ingressou no ecossistema da Microsoft, onde ficou por 13 anos e chegou a ser vice-presidente da América Latina de Soluções. Após este período, Busch foi executivo por cinco anos na Oracle. Na sequência, atuou durante quatro anos como executivo na Salesforce, empresa na qual ele também se tornou vice-presidente da América Latina.

A partir da pandemia da COVID-19, quando ainda estava na Salesforce, Carlos começou a questionar formas de entregar mais valor para as pessoas, porque viu que o período pandêmico tirou o diferencial que ele construiu durante sua carreira. Como sempre foi um executivo muito próximo de seus clientes, sempre os ajudava a entender para onde o mercado estava indo. Por conta da pandemia, não houve mais a possibilidade de aplicar esse diferencial, porque não tinha mais a oportunidade de realizar reuniões presencias, nem de ministrar palestras.

Foi nesse momento em que ele se reinventou e procurou novas formas de se movimentar. Com isso, Busch começou a compartilhar conteúdos de maneira aberta, ajudando muito os negócios no mercado em que já atuava. Ao mesmo tempo em que estas mudanças aconteciam, teve a oportunidade de compreender que poderia ajudar muito mais pessoas.

No final de 2021, decidiu fazer uma mudança de carreira e ingressou no mercado de educação corporativa, tornando-se advisor de empresas. Em janeiro deste ano, pediu demissão e executou este novo projeto. Em paralelo à isso, percebeu que precisava de mais conhecimento, não somente o de execução, mas também o teórico.

Apesar de ter demorado 10 anos para concluir a graduação em Administração de Empresas, primeiro devido à falta de recursos financeiros e depois pela agenda corrida de viagens de trabalho, Busch construiu uma carreira acadêmica sólida e extensa. Com pós-graduação em Comércio Exterior pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e especializações em Gestão Estratégica na Universidade da Califórnia (Irvine/USA), Negociação e Gestão de Conflitos em Harvard (Boston/USA), Gestão Financeira e Mercado de Capitais na New York Institute of Finance (New York/USA), Marketing Digital pela Universidade de Illinois (Illinois/USA), Conceitos Exponenciais pela Singularity University (California/USA), Academia Global de Executivos no MIT (Boston/USA) e Gestão de Negócios Internacionais pela Universidade de Londres (Londres/UK).

Hoje com mais de 20 anos de experiência na liderança de grandes empresas multinacionais, é referência internacional em vendas e CX. Palestrou em mais de 700 eventos nacionais e internacionais, e é autor do livro best-seller “Muito Além das Expectativas”, além de ser colunista do MIT Technology Review Brasil, TEDx Speaker e Professor de MBA.

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