A CAIXA Cultural Brasília recebe, até domingo (28), o espetáculo “Amar e Mudar as Coisas – Belchior 80”, um tributo à obra de Belchior. No palco, Marisa Orth, Buhr e Taciana Barros apresentam releituras de clássicos do artista cearense, em uma montagem que combina música, poesia e narrativa biográfica.
Aclamado pelo público desde sua estreia, o espetáculo propõe novos arranjos para canções que atravessam gerações, como “Como Nossos Pais”, “Sujeito de Sorte” e “Apenas um Rapaz Latino-Americano”. A proposta valoriza a força poética e filosófica das composições, com uma formação instrumental acústica, sem bateria que coloca as letras em primeiro plano.
Segundo Marisa Orth, a diversidade de trajetórias das intérpretes é um dos pilares do projeto. “Foi e é uma experiência muito enriquecedora. Entrei com o ‘barco’ andando, e o que me agrada muito são nossas trajetórias serem tão diversas. Isso faz com que a obra do Belchior fique evidenciada, e não corre-se o risco de ser show de uma ou de outra”, afirma. “Aprendemos a cantar melhor, a nos ouvir mais e sermos ainda mais reverentes à obra do poeta Belchior.”

A ideia de renovar o repertório surgiu do desejo de ir além de uma simples revisitação. Concebido por Taciana Barros, o espetáculo busca desconstruir as versões mais conhecidas das músicas. “O projeto surge do desejo de desconstruir as músicas em suas formas mais conhecidas. A formação, composta por baixo acústico, piano, violões e guitarras sem bateria, destaca essa proposta”, explica. “O espetáculo estabelece um diálogo com o Belchior compositor, trazendo suas letras para o primeiro plano e abrindo espaço para diferentes leituras e interpretações”, diz Taciana Barros.
A atualidade da obra de Belchior também é um dos pontos destacados pelas artistas. Para Marisa, as canções seguem dialogando diretamente com o Brasil contemporâneo. “Acho que a obra toda dele é atual. Ele é diferente e nunca esteve ‘na moda’. É um trovador, um cronista, um apaixonado. Triste admitir que muitas das situações nas músicas mais claramente políticas ainda sejam tão atuais. E as mais pessoais, que falam de sentimentos, essas serão eternas”, reflete.

Além da música, o espetáculo incorpora elementos literários e biográficos, com trechos da obra “Belchior – Apenas um Rapaz Latino-Americano”, de Jotabê Medeiros, que inspirou a criação do projeto. A construção narrativa, liderada por Taciana, também trouxe desafios às intérpretes. “Achei desafiante. Quando vi que teria que cantar músicas tão célebres numa banda tão acústica, tive que me superar”, conta Marisa.
O repertório foi cuidadosamente selecionado para criar uma espécie de retrato do país por meio das canções. “Foi difícil escolher, porque são músicas muito incríveis, mas a ideia foi contar uma história do nosso país”, completa Taciana.
Com duração de 80 minutos e classificação livre, “Amar e Mudar as Coisas – Belchior 80” reforça a potência de uma obra que permanece viva, reinterpretada por novas vozes e conectada às inquietações do presente.
Serviço
[Música] Amar e Mudar as Coisas – Belchior 80
Local: CAIXA Cultural Brasília
Temporada: 23 a 28 de junho de 2026
Horários: 23/6 (20h, com bate-papo), 25 e 26/6 (19h e 21h), 27/6 (17h e 20h), 28/6 (18h)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Classificação: livre
Duração: 80 minutos