Carolina Tulim
carol.tulim@jornaldebrasilia.com.br

Ringo Starr não é exatamente o ex-Beatle mais adorado pelos fãs. Nunca foi. Mesmo assim, a expectativa para o show que fará nesta sexta-feira (18), a partir das 22h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, não poderia ser melhor. Ao lado da All Starr Band – grupo que o acompanha desde 1989 e que é renovado a cada turnê – o músico promete uma apresentação abrangente, marcada pela simpatia e descontração do mais irreverente integrante do Fab Four. Com um repertório que passeia pela carreira solo, mas que também deixa espaço para que os companheiros de palco Wally Palmar, Edgar Winter, Gary Wright, Richard Page, Rick Derringer, e Gregg Bissonette brilhem, neste espetáculo Ringo não tem intenção de ser protagonista, mas apenas divertir o público e a si mesmo.
Dois integrantes da All Starr Band se destacam na turnê, que já percorreu outras quatro cidades brasileiras e se encerra domingo, em Recife: Edgar Winter, o tecladista albino e irmão do também músico Johnny Winter, que assume ainda o saxofone em alguns momentos da apresentação, e o tecladista Gary Wright, ex-Spooky Tooth, que participou do álbum All Things Must Pass, de George Harrison. Pitadas de rock progressivo dos anos 70 e do pop grudento dos anos 80 devem permear a apresentação.
As tão esperadas músicas do quarteto de Liverpool entraram no setlist a conta gotas: apenas I wanna be your man, Yellow Submarine, Boys e With a little help from my friends – além de Honey don’t, de Carl Perkins, e Act Naturally, de Johnny Russell e Voni Morrison, ambas gravadas pelo Fab Four, integram o repertório. Todas ficaram conhecidas na voz do ex-baterista, que durante o show deve assumir as baquetas em algumas das 23 músicas. 11 delas contarão com seus vocais.
Em entrevista ao Jornal de Brasília, Ringo elogiou o público brasileiro e mostrou animação acerca da apresentação desta noite. “Já passei por algumas cidades e senti uma energia muito positiva. Trata-se de um público alegre e contagiante. Espero que isso se repita em Brasília”, afirmou.
Esta é a primeira vez que Starr, que completou 71 anos em julho, visita a América do Sul – ele nunca passou por aqui nem em férias. Um contraponto aos antigos colegas de banda: George Harrison veio em 1979 para ver uma corrida de Fórmula 1 e Paul McCartney tocou no Brasil em 1989, 1993, 2010 e 2011. Indagado sobre o motivo da demora em visitar o País, Ringo usou do bom humor. “Nunca me convidaram”, resumiu, às gargalhadas.
Starr enfatiza ainda se sentir um Beatle, apesar da apresentação parecer fugir da aura grandiosa de sua ex-banda. “Claro que me considero um Beatle. O mundo está diferente. Eu também mudei. Aprimorei meu som e hoje vejo tudo bem diferente”, explica, sem aprofundar. Sobre um possível show em homenagem aos Beatles que estaria sendo arquitetado com o ex-companheiro Paul McCartney, o baterista é taxativo: “Isso não faz sentido. Não vai acontecer”, disse, para desânimo das fãs do quarteto.
A All Starr Band já não é, hoje, o que foi. Em encarnações pregressas, teve gente como Peter Frampton e John Entwistle (The Who). A formação que acompanha Ringo na turnê brasileira nasceu no verão
do ano passado.
O baterista trouxe ao Brasil o mesmo repertório – sem nenhuma surpresa – dos shows pela América Latina. Antes de desembarcar em terras tupiniquins, o músico passou por Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile), e Cidade do México.