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Viva

Musicalidade sem fronteiras na Escola de Música

Arquivo Geral

11/01/2012 7h06

Raquel Martins
raquel.martins@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Osonho de ser músico, acalentado por jovens e adultos de todo o País e de várias partes do mundo, é algo que transcende as barreiras da língua e da distância. A conquista de uma vaga em uma das turmas do 34º Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília, por exemplo, é a recompensa de pessoas que deixaram suas cidades e países de origem e participam do evento que vai até o dia 21 deste mês.

 

Ataíde Mattos, diretor da Escola de Música, diz que as inscrições feitas pela internet possibilitaram o acesso de estudantes de lugares variados. “Existem vários talentos espalhados mundo afora e cabe às instituições dar oportunidades para que eles possam aparecer”, afirma. Foram 1.260 inscritos e 800 matriculados.

 

Um deles foi o uruguaio Miguel Menchaca, 34 anos. Mesmo morando em Montevidéu, ele está acostumado aos ares de Brasília. “Estive aqui e participei das festividades do aniversário de 50 anos da cidade em um espetáculo no Teatro Nacional”, revela. Pela primeira vez no curso, ele conta que está muito entusiasmado com suas aulas de canto erudito. “É maravilhoso conhecer pessoas de toda parte do mundo. Ouço ritmos que só ouviria no rádio. Aqui, misturamos tango e baião”, elogia.

 

Já o goiano Alexandre Nonato, 26, que cursa prática de conjunto e viola caipira, diz estar achando tudo sensacional. “Esse curso é uma mãe: te dá casa, comida e ainda te ensina”, brinca. “Pretendo voltar várias vezes.”

 

O peruano Alexandre Carrasco, 25, estuda trompete erudito e mora em Brasília há dois anos. “Estou feliz por ter a oportunidade de acrescentar conhecimento e bagagem cultural ao meu currículo”, comemora.

 

Os representantes de Brasília também aproveitam para aprender com os estrangeiros. “Pretendo viver de música e esse contato com professores internacionais é essencial”, conta Mateus Alves, 18, que já teve de enfrentar a estranheza dos pais ao escolher como instrumento a flauta doce. “Hoje, depois de ver algumas apresentações, eles dão valor e até força.”

 

Aprendizado

 

Gaúcho radicado em São Paulo, Marcus Simon, 25, cursa duas matérias: bateria e prática de música universal. Em 2008, ele esteve na cidade para o curso e garante que esta edição está ainda melhor. “Estou satisfeito com o nível das aulas e dos professores”, conta. Para ele, a melhor parte é a possibilidade de trocar experiências com pessoas de lugares diferentes. “Aproveito as férias para estudar e fazer contatos com músicos que poderão me indicar no futuro.”

 

A única reclamação de Simon é em relação à estrutura. “Pouca coisa mudou desde a última vez que estive aqui. Se o governo investisse mais, Brasília se tornaria uma referência no País, um grande polo musical.” O diretor Ataíde Mattos reconhece a necessidade de reformas, considerando ser uma instituição antiga, construída em 1974. “As exigências para a construção de uma escola eram outras”, diz. A Escola de Música será uma das contempladas pelo Brasil Profissionalizado, projeto da Secretaria de Educação. “Temos planos para a construção de um novo prédio, novas salas e estúdio de gravação.”

 

 

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