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Música

Prêmio Princesa de Astúrias premia a ‘madrinha do punk’ Patti Smith

Cantora e poeta é reconhecida na Espanha por trajetória que une rock, literatura e ativismo cultural

Redação Jornal de Brasília

29/04/2026 13h58

Foto: Rob Kim / Getty Images North America / AFP

Foto: Rob Kim / Getty Images North America / AFP

A cantora americana Patti Smith, conhecida como a “madrinha do punk” por levar densidade intelectual a esse gênero visceral, foi premiada nesta quarta-feira (29), na Espanha, com o Prêmio Princesa de Astúrias das Artes 2026.

A artista, que também é poeta e tem 79 anos, “expressou a rebeldia do indivíduo na sociedade em canções pulsantes, algumas das quais já se tornaram ícones da música popular de nosso tempo”, afirmou o júri do prêmio, concedido pela Fundação Princesa de Astúrias (FPA).

Nascida em Chicago no fim de 1946, Patricia Lee Smith tem uma “criatividade impetuosa, que conecta o rock, a poesia simbolista e o espírito da contracultura com grande força expressiva”, acrescentou a decisão, lida pela coreógrafa espanhola de flamenco María Pagés Madrigal, vencedora do Princesa de Astúrias em 2022 e presidente do júri neste ano.

Criados em 1981 e considerados os mais prestigiosos do mundo ibero-americano, os prêmios são dotados de 50.000 euros (cerca de 292.200 reais) e de uma escultura do artista catalão Joan Miró.

“Este prêmio simboliza o amor que sinto pela Espanha, um país que, por décadas e gerações, expressou seu carinho e apoio por mim”, disse Smith em uma declaração divulgada pela FPA, observando que outubro marca o 50º aniversário de seu primeiro show no país.

“Se eu tivesse que resumir o que este prêmio significa para mim, faria isso com duas palavras: Arte e Amor. Por todos os poetas e pintores, de Lorca a Picasso, que me inspiraram”, continuou a artista, que disse se sentir “revigorada” pelo reconhecimento.

– “Comunicadora multidisciplinar e iconoclasta” –

Em uma foto em preto e branco na capa, com o queixo erguido e olhar desafiador, essa militante dos direitos civis irrompeu no mundo do rock com o álbum Horses, em 1975, que rapidamente a transformou em uma das artistas mais influentes da cena.

Quando se tornou conhecida como cantora, ela já havia publicado vários livros de poesia, produção que manteve até recentemente. Também se destacam seus livros de memórias, muito elogiados pela crítica.

Sua trajetória ultrapassou “os limites do estritamente musical para se transformar em uma comunicadora multidisciplinar e iconoclasta por meio de diferentes manifestações artísticas, como a poesia, a fotografia, a performance e a videoinstalação”, afirmou a Fundação Princesa de Astúrias.

Sempre combativa, Smith participou das manifestações pelo fim da guerra do Iraque e pela saída do presidente George W. Bush, em 2003, defendeu integrantes do grupo punk feminista russo Pussy Riot após sua prisão em 2012 e assinou, em 2018, um artigo de opinião contra o aquecimento global.

Vencedora de vários prêmios, foi incluída em 2007 no Rock and Roll Hall of Fame.

– Começa o ciclo de premiações –

O prêmio das Artes foi o primeiro dos oito desta edição, concedidos anualmente pela Fundação Princesa de Astúrias, em ritmo de um por semana.

No ano passado, nessa categoria, o reconhecimento foi para a fotógrafa mexicana Graciela Iturbide, cujas imagens poderosas convidam “a olhar para além do visível”, segundo definiu o júri.

Em outras edições, foram premiados músicos como Joan Manuel Serrat e Bob Dylan, nomes do cinema como Meryl Streep, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Pedro Almodóvar, além de arquitetos como Frank O. Gehry, Norman Foster e Santiago Calatrava.

Os prêmios, que levam o nome do título da herdeira ao trono espanhol, a princesa Leonor, são entregues por ela e pelos reis Felipe VI e Letizia, em outubro, em uma cerimônia em Oviedo, capital de Astúrias.

AFP

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