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Música

Dia Internacional do Jazz reforça a importância do gênero

A data destaca não apenas a música, mas também valores como liberdade criativa e diversidade

Larissa Barros

30/04/2026 10h35

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Andresa Sousa, cantora de Jazz. – Foto: Arquivo Pessoal

Criado pela UNESCO para celebrar o papel do jazz como instrumento de diálogo e união entre culturas, o Dia Internacional do Jazz, comemorado nesta quinta-feira (30), destaca a importância do gênero como expressão artística, histórica e política. A data mostra não apenas a música, mas também valores como liberdade criativa, diversidade e inclusão.

O jazz surgiu entre o final do século XIX e o início do século XX, em Nova Orleans, nos Estados Unidos, a partir da vivência da comunidade afro-americana. Fortemente influenciado pelo Blues e por tradições musicais africanas, o estilo carrega, desde a sua origem, marcas de resistência, identidade e transformação cultural.

Para a cantora e intérprete de jazz tradicional americano e bossa nova Andresa Sousa, o Dia Internacional do Jazz representa resistência e continuidade. “O estilo perdura há mais de 120 anos e ainda não esgotamos o jazz na sua totalidade. Como artista, sinto que a data representa a renovação da memória histórica, para que muitas gerações possam conhecer e ter contato com esse gênero musical tão rico, e assim passar adiante e nunca deixar morrer”.

“Acredito que hoje o jazz, além de manter seu papel de resistência e identidade, também se consolida como símbolo de expressividade. É sinônimo de criatividade, sentimento e irreverência. Nos dias de hoje, essas características permanecem, principalmente no seu papel de celebrar a liberdade, tanto histórica quanto musical”, explica Andresa.

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Chris Dantas, cantora de Jazz. -Foto: Arquivo Pessoal

Já a cantora Chris Dantas destaca que não enxerga o jazz como um gênero estático, mas como um espaço de troca cultural. “A música é uma linguagem universal de improviso e escuta mútua, e o jazz traz organicamente essa liberdade. É algo que tento levar para tudo o que faço, seja cantando ou mentorando outros artistas”,

“Hoje, a resistência do jazz é contra a homogeneização. Em um mundo de algoritmos que nos empurram para o ‘mesmo som’, o jazz resiste sendo autêntico, imperfeito e humano. Ele é a identidade em sua forma mais pura. O jazz resiste à pressão de ser apenas um produto e escolhe ser uma voz com história e propósito”, afirma Chris.

“Desde que me entendi por cantora, o jazz me acompanha. Esse diálogo é ancestral. A bossa nova é a prova viva desse encontro. Na minha trajetória, o jazz funciona como um filtro: posso cantar pop ou música brasileira, mas a minha entrega, o melisma, a intenção do soul e a harmonia ao piano carregam o jazz. Ele é a base que me permite transitar por qualquer estilo sem perder minha essência”, detalha.

“O jazz se mantém vivo pelo amor, admiração e empenho de todos que se conectam com ele. É um gênero evolutivo, a cada geração, incorpora novas raízes culturais e rítmicas, dando origem a diversos subgêneros. Sua riqueza e complexidade são fascinantes, quanto mais você conhece, mais quer aprender, criar e evoluir dentro dessa obra-prima musical”, completa Andresa.

Para Chris, essa permanência também está ligada à profundidade do gênero. “O jazz se mantém vivo porque é experiência, não apenas consumo. Tendências passam, o jazz permanece. Ele atende a uma necessidade humana de conexão profunda e surpresa. A longevidade de um artista não vem do que é viral, mas da construção de um legado sólido e sofisticado, exatamente como o jazz faz há décadas”.

Celebração em Brasília

Em sintonia com a proposta global da data, Brasília recebe uma programação especial que une música, tecnologia e sustentabilidade. Nos dias 30 de abril e 1º de maio, o Centro Cultural Três Poderes será palco de uma edição do projeto Música na Árvore Solar, em parceria com o Buraco do Jazz, com dois shows gratuitos.

A iniciativa aposta em uma proposta inovadora, com apresentações alimentadas por energia solar, reforçando o diálogo entre arte e consciência ambiental. Após a estreia na capital federal, o circuito segue para outras cidades brasileiras.

“Utilizar energia limpa para alimentar nossos palcos é uma forma de mostrar que a arte e o meio ambiente caminham juntos. Celebrar o Dia Internacional do Jazz em Brasília potencializa essa mensagem”, destaca o idealizador André Trindade.

A programação reúne nomes da cena instrumental. Na quarta-feira (30), a partir das 18h, o público confere o DJ Dudão, seguido pela banda No Stress, com participação de Hamilton Pinheiro, e encerramento com Ágora Jazz Fusion.

Já na quinta-feira (1º), a partir das 17h, o evento propõe um fim de tarde ao ar livre com discotecagem e uma live performance com o duo de trompete e trombone formado por Bruno Portela e João Vianna.

O evento também contará com estrutura de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras, banheiros adaptados e espaços reservados para pessoas com deficiência.

Programação BSB

QUINTA-FEIRA | 30 de abril
18h – DJ Dudão
19h – No Stress convida Hamilton Pinheiro
22h- Ágora jazz Fusion SEXTA-FEIRA | 01º de maio
17h – Dj Dudão convida
Bruno Portela e João Vianna (Live performance com trompete e trombone)

SERVIÇO:
Dia Internacional do Jazz: Música na Árvore Solar, em parceria com Buraco do Jazz
Quando: 30/04. Quinta, a partir das 18h. | 01º/05. Sexta-feira, a partir das 17h.
Onde: Centro Cultural Três Poderes – gramado do Panteão da Pátria, ao lado da Bandeira Nacional – Praça dos Três Poderes, Eixo Monumental – Brasília/DF
Quanto: entrada franca

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