A ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde, lamentou profundamente a morte do escritor José Saramago, quem “nos amava a partir de sua alma portuguesa”, um sentimento que une os espanhóis ao autor luso: “isso ocorre porque também aprendemos a amar Saramago”.
“Hoje é um dia triste para a cultura, nos temos de começar a nos acostumar com a ideia de que não vamos ter novos romances de Saramago, nem mais artigos seus; nós tínhamos nos acostumado a sua presença”, assinalou a ministra em declarações à Agência Efe.
“Muitos leitores, e muitos de nós espanhóis, infelizmente, vivemos de costas à cultura portuguesa e olhamos mais em direção ao nosso lado da fronteira do que para o país vizinho, mas Saramago nos abriu a porta a essa cultura tão maravilhosa, da qual depois nos apaixonamos para sempre”, refletiu a ministra.
“Era um homem comprometido, progressista, muito de esquerda, tinha um compromisso ideológico e vital com as vítimas e com os conflitos, que era parte de sua ideologia, era parte também de sua vocação, porque o impulso de escrever é sempre uma tentativa de contar de outra maneira o que estás ocorrendo, com o desejo de mudá-lo”.