Camilla Sanches
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Na infância, a primeira aproximação que os pequenos costumam ter com as letras geralmente é na leitura das histórias em quadrinhos, popularmente conhecidas no Brasil como gibis. Os personagens mais atrativos ainda são os super-heróis, como Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, X-Men etc. Todos eles frutos da imaginação de criadores estrangeiros.
A arte sequencial brasileira só alcançou destaque dentro do próprio cenário nacional com as personagens da Turma da Mônica, de Maurício de Sousa, na década de 1970. Para privilegiar produções como esta e de outros artistas do País e para discutir as questões do setor, foi criado o Dia do Quadrinho Nacional, comemorado, anualmente, no dia 30 de janeiro. Hoje. A data foi instituída pela Associação dos Quadrinistas e Cartunistas de São Paulo. O motivo é que, nesse dia, em 1869, foi publicada a história em quadrinhos de Nhô Quim, considerada a primeira do Brasil. O personagem foi invenção do ítalo-brasileiro Ângelo Agostini.
Para Lima Neto, dono da Kingdom Comics, uma loja de HQs no Conic (Setor de Diversões Sul), a baixa procura por produções nacionais deve-se, entre outros fatores, à falta de visibilidade dos trabalhos e à falta de interesse dos autores em buscar incentivos. “Falta instrução dos produtores com relação aos trâmites para conseguir apoio na publicação das revistas a nível federal, como pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), por exemplo”, considera ele.
Ao lado do amigo e sócio Gabriel Gonçalves, há 15 anos Lima Neto abriu a loja de revistinhas. A experiência faz com que eles garantam que os personagens estrangeiros ainda são a preferência dos leitores. “Os japoneses, atualmente, lideram o ranking de maior saída, seguidos pelos americanos e europeus”, observa Gonçalves. “Os nacionais seguem como a última opção, infelizmente”, lamenta Lima Neto.
Leituras
O estudante de História Krispim Bruno, 26 anos, confirma esta lista. Fã de quadrinhos desde os sete anos de idade, ele lembra que começou com as aventuras infantis da Turma da Mônica, mas que, hoje, rendeu-se a títulos como Sandman (de Neil Gaiman) e às criações do roteirista Frank Miller. “Não me lembro a última vez que li um quadrinho nacional, mas posso indicar os da galera da Samba, daqui de Brasília. São muito bons”, diz ele, que atualmente lê Freak Brothers, de Gilbert Shelton (EUA).
Para discutir o dia, O Teatro Eva Herz da Livraria Cultura (Iguatemi Brasília) convidou os quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá para um bate-papo, na edição de amanhã, às 19h30, do Palco Iguatemi.
Aos 35 anos, os irmãos gêmeos autores da série Daytripper, entre outras publicações, contam que desenham como toda criança desde os dois anos, mas o interesse pelos quadrinhos, incentivados pela mãe, começou na primeira década de vida. “A principal influência para a nossa carreira foi na adolescência, nos trabalhos do Laerte”, diz Fábio.
O artista lembra que, na mesma época, na escola, eles liam Capitães da Areia, de Jorge Amado. “Tinha aquilo dos moleques soltos em Salvador e nós, também, éramos moleques no colégio. Fizemos uma relação entre as duas coisas e percebemos que era o que queríamos fazer da vida. Criar esses mundos, como o escritor baiano, e jogar o leitor ali dentro”, revela o autor. Estas e outras histórias, a dupla vai contar amanhã. O evento tem entrada franca, mas os ingressos devem ser retirados na bilheteria da Livraria Cultura, na terça-feira, a partir das 12h. Não recomendado para menores de 14 anos.