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Exposições

Museu Nacional recebe exposição que une arte e curadoria

Mostra propõe ao público um novo olhar sobre os limites entre a criação artística e a prática curatorial

Larissa Barros

27/04/2026 11h44

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Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

A Galeria 2 do Museu Nacional da República recebe, até 21 de junho, a exposição Dípticos, Arte e Curadoria, que propõe ao público um novo olhar sobre os limites entre a criação artística e a prática curatorial. Com entrada gratuita, a mostra reúne artistas e curadores do Distrito Federal em duplas criativas, resultado de um processo coletivo marcado pelo diálogo e pela experimentação.

Idealizado pela produtora cultural Sofia Rodrigues Barbosa, o projeto nasce com o objetivo de aproximar o público do universo da curadoria e tornar mais acessível o entendimento desse campo. “A ideia é desmistificar um pouco o que é esse agente, entender quem faz curadoria e como isso acontece”, explica.

Segundo Sofia, a proposta também surge da necessidade de expandir o debate para além dos espaços acadêmicos. “Brasília tem uma concentração muito grande de conhecimento nas universidades, mas é importante produzir esse pensamento em diálogo direto com o público”, afirma. Nesse sentido, a exposição se apresenta como uma investigação sobre o papel da curadoria em um formato diferente do tradicional, evidenciando processos, encontros e decisões criativas.

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Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

A mostra apresenta seis dípticos, trabalhos desenvolvidos em parceria entre artistas e curadores, nos quais obra e pensamento curatorial se constroem de forma conjunta. Mais do que exibir resultados finais, o projeto convida o visitante a acompanhar os percursos criativos, revelando bastidores por meio de registros, textos e experimentações.

Para a artista Adriana Marques, que trabalha com pintura, gravura e escultura, a experiência de criação em dupla trouxe novos desafios e aprendizados. “O processo foi muito íntimo e construído aos poucos, com constância e disciplina. Foi isso que fez o trabalho se fechar”, conta.

Ela destaca que, apesar de ajustes no percurso, como a reformulação de ideias iniciais, o resultado final manteve coerência. “No início, a gente precisou descartar uma proposta, mas tudo acabou se conectando depois”, diz. Para Adriana, o ponto-chave da parceria foi a confiança. “A partir do momento em que abrimos a escuta uma para a outra, o trabalho deixou de ser individual”.

A curadoria da exposição é assinada por Cinara Barbosa e Léo Tavares, que acompanharam o desenvolvimento das duplas ao longo do processo. De acordo com Cinara, o principal desafio foi articular diferentes perfis e trajetórias em uma experiência coletiva. “Nosso papel foi escutar essas duplas e entender como elas poderiam funcionar juntas para chegar a esse resultado”, explica.

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Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

A proposta curatorial aposta na expansão desse campo, explorando novas formas de apresentação. “O público vai encontrar, por exemplo, um texto curatorial em forma de rap, além de outras intersecções entre texto e obra”, afirma.

Além de valorizar os artistas participantes, o projeto também amplia as possibilidades de atuação dos curadores, incentivando experimentações e relações mais próximas com os processos criativos. “A exposição traz um olhar mais inventivo para a curadoria e cria relações mais íntimas entre artistas e curadores”, reforça Sofia.

Com visitação até junho, Dípticos, Arte e Curadoria convida o público a repensar os papéis tradicionais dentro do circuito artístico e a enxergar a curadoria como uma prática ativa, integrada e em constante transformação.

Serviço:
Dípticos, Arte e Curadoria
Local: Galeria 2 do Museu Nacional da República
Até quando: 21 de junho
Entrada gratuita

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