Menu
Exposições

Arquivo Público do DF recebe painel artístico em homenagem a Brasília 

A iniciativa celebra os 40 anos da Instituição e os 66 anos da capital com a obra “Brasília em Linhas do Tempo”

Larissa Barros

22/05/2026 5h00

capa jbr (6)

Artista Jailson Belfort. – Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

O Arquivo Público do Distrito Federal e a Associação dos Designers Gráficos do DF (Adegraf) presentearam Brasília com um painel artístico ao ar livre que promete se tornar um novo marco visual da capital. A iniciativa celebra os 40 anos do Arquivo Público e os 66 anos de Brasília com a obra “Brasília em Linhas do Tempo”, do artista plástico Jailson Belfort, produzida inteiramente com canetas esferográficas. A exposição fica em cartaz até o dia 21 de junho.

Com 72 metros de largura por 8 metros de altura, a obra ocupa a fachada da sede do Arquivo Público do DF e propõe uma linha do tempo visual que retrata, em ordem cronológica de fundação, 14 dos principais monumentos e ícones da capital federal.

Entre os monumentos representados estão a Catedral Metropolitana, o Congresso Nacional, o monumento Dois Candangos, a Ponte JK e a Torre Digital. Juntos, eles compõem uma narrativa visual contínua que traduz a história da cidade por meio de linhas, cores e traços precisos. Mais do que uma obra monumental, o painel valoriza a identidade, a memória e o patrimônio histórico de Brasília, reforçando o papel do Arquivo Público como guardião da memória institucional e cultural do Distrito Federal.

Segundo o artista Jailson Belfort, a proposta da obra surgiu da ideia de transformar em arte a história preservada pelo Arquivo Público. “O Arquivo Público tem todo o registro, toda a documentação de Brasília que precisa ser contada, divulgada e mostrada. Através da arte, essa história é contada de maneira muito mais lúdica”, afirma.

capa jbr (6)
Artista Jailson Belfort. – Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

O painel também segue uma ordem cronológica dos monumentos justamente para representar as diferentes fases da capital. “A ordem cronológica é justamente para contar a história de Brasília em cada fase da sua vida como cidade e como monumento”, explica Belfort.

A exposição “Brasília em Linhas do Tempo” está aberta ao público e reúne cerca de 30 obras do artista, incluindo as 14 pinturas que compõem o painel externo. A mostra também apresenta fotos, vídeos, croquis, desenhos e materiais históricos preservados pelo Arquivo Público, contextualizando o processo criativo e a construção das obras.

Conhecido por utilizar exclusivamente canetas esferográficas em seus trabalhos, Jailson Belfort destaca que o processo exigiu planejamento e atenção extrema. “Você não pode errar quando usa uma esferográfica, porque não dá para apagar. Fazer um trabalho desse tamanho requer muita atenção”, conta.

Natural de São Luís, no Maranhão, o artista também falou sobre a relação afetiva construída com Brasília ao longo dos anos. “Foi um choque muito grande chegar em Brasília em 1999, vindo de uma cidade histórica e colonial. Hoje, transformar tudo isso em arte é uma oportunidade de expressar meu amor pela cidade sem esquecer minha terra natal”, diz.

Além da grandiosidade do painel, Belfort afirma que a obra busca despertar curiosidade e um novo olhar sobre a capital. “O trabalho é cheio de minúcias, de linhas e traços muito delicados. A ideia é justamente fazer as pessoas apreciarem Brasília além das linhas da sua origem”, explica.

Para o superintendente do Arquivo Público do Distrito Federal, Adalberto Scigliano, a iniciativa reforça a missão da instituição de aproximar a população da história da cidade.

whatsapp image 2026 05 21 at 20.14.32 (1)
Superintendente do Arquivo Público do Distrito Federal, Adalberto Scigliano. – Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

“Uma população só reconhece e dá valor para aquilo que conhece. Nós sabemos o valor do acervo que está aqui em nossas mãos e queremos levar a beleza e a singularidade da história de Brasília para os cidadãos, para que eles tenham sentimento de pertencimento e orgulho do local onde moram”, afirma.

Segundo Scigliano, a linguagem artística também ajuda a aproximar os jovens da memória da capital federal. “Através da arte, conseguimos chamar a atenção dos jovens para algo que antes era cotidiano. Essa conexão faz com que cada vez mais pessoas se interessem pela história de Brasília”, destaca.

O superintendente também reforçou o legado que espera deixar para as próximas gerações. “Queremos que os arquivos públicos deixem de ser acervos silenciosos e passem a conversar com a população. Nossa função é preservar a história por séculos e séculos”, afirma.

A exposição também possui um significado especial para a Adegraf, que celebra 25 anos de atuação em 2026. Para a presidente da associação, Alessandra Pinheiro, o projeto reforça o papel do design na construção da identidade cultural de Brasília.

whatsapp image 2026 05 21 at 20.14.33
Alessandra Pinheiro, presidente da Adegraf. – Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

“A realização desse painel fortalece o compromisso que a nossa associação tem com o design da cidade, em perpetuar essa história da identidade, da cultura e da arquitetura de Brasília”, explica.

Alessandra destaca ainda que o design vai além da estética e possui impacto direto na vida urbana. “Quando usamos o design e a arte em um equipamento urbano, damos visibilidade para esse espaço e melhoramos a relação das pessoas com o território. O design modifica e melhora o território”, afirma.

A presidente da Adegraf também ressalta a importância de valorizar artistas e designers locais em espaços públicos da cidade. “Nossa função é conectar o designer, o mercado e as instituições públicas. Somos articuladores desse ecossistema do design e queremos fomentar políticas que contribuam para o desenvolvimento da cidade”. 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado