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Dançarinos da Academia Lúcia Toller encenam espetáculo no DF onde a inocência dá o tom

Arquivo Geral

10/12/2011 7h05

Camilla Sanches
camilla.sanches@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Inocência e ingenuidade. Estas são as principais características do balé francês La Fille Mal Gardée (A Filha Mal Guardada), de Jean Daubeval. O espetáculo será encenado pelos alunos da Academia Lúcia Toller, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro (ao lado da Rodoviária do Plano Piloto), em duas apresentações neste final de semana, hoje e amanhã, às 20h.

 Criado em 1791, este foi  o primeiro balé do repertório de danças mundial, segundo a diretora do grupo e coreógrafa do espetáculo, Lúcia Toller. “É uma história bem inocente, de uma camponesa que a mãe resolve casar com um candidato rico da vila, onde todos os personagens da trama vivem”, adianta ela.

 O enredo desenvolve-se numa fazenda, em que a protagonista, Lise, mora com a mãe, a viúva Simone, e tem como um dos empregados, Carlos, um camponês de vida simples. Os dois se apaixonam e ela se vê obrigada a cumprir um compromisso feito pela matriarca da família. “Naquela época, eram comuns os casamentos arranjados entre os pais, sem que os filhos fossem consultados”, lembra a diretora.

Como já era de se esperar, a mãe da noiva não gosta nada deste romance incipiente. Ela se mantém firme no propósito de laçar o matrimônio entre Alain, um rapaz meio tolo, porém rico e de família tradicional da cidade. O autor francês, no entanto, permite que amor entre a classes sociais opostas – o empregado e a burguesa – se realize.

É isto que o casal de primeiros bailarinos,  Vivian Salles e Diego Arruda, vai tentar transpor para o palco da Villa-Lobos. Ao lado deles, completam o elenco os solistas Murilo Campos (a fazendeira Simone), Fred Rispoli (o pretendente Alain) e Junio Fagner (o pai do noivo), entre outros dançarinos. 

No total, mais 500 bailarinos, com idade entre 4 e 40 anos, dividem a cena, ao som de clássicos da música erudita, como Vivaldi e Mozart. Os cenários incluem paisagens do campo, da aldeia ou vila – onde a história se passa – da casa e da própria fazenda, onde a mocinha do romance mora. “A ingenuidade daquele período é bem retratada numa passagem em que Lise vai até o celeiro e deixa um lacinho amarrado no feno para mostrar a Carlos que ela esteve ali. É como um sinal para marcar o encontro”, antecipa a coreógrafa.

Para Lúcia, outro ponto que demonstra a inocência do final do século 18 é a forma como os relacionamentos aconteciam. “As mocinhas namoravam com o olhar, só de tocar na mão“, observa, antes de acrescentar:  “Sob a vigília dos pais. Neste caso, da mãe, interessada em bem casar a única herdeira”, diz.

 

La Fille Mal Gardée – Hoje e amanhã, às 20h, na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro (ao lado da Rodoviária do Plano Piloto). Ingressos: R$ 60 (inteira). Classificação livre.

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