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Conclusão da trilogia O Hobbit investe em cenas de ação

Arquivo Geral

11/12/2014 7h00

Reinaldo José Lopes

Especial para o Jornal de Brasília


Em dado momento de O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos, os humanos que sobreviveram ao ataque do dragão Smaug se refugiam atrás das muralhas de uma cidade em ruínas. Como as forças das trevas invadem o lugar? Simples: mandam um enorme troll, com um aríete amarrado à testa, para a muralha. O bichão dá uma cabeçada nas pedras, abre uma brecha no muro e cai desmaiado.

Ocorre que essa falta de sutileza, esse “estilo troll”, também é a principal técnica empregada pelo diretor Peter Jackson no capítulo final da saga. A impressão é que o cineasta neozelandês se tornou incapaz de distinguir entre a grandiosidade épica e a overdose de pancadaria.

Também não ajuda o fascínio de Jackson pelo bizarro (presente em sua obra, desde os filmes de horror de baixo orçamento que fazia). Se você achou o troll-aríete meio demais, prepare-se para um bestiário que nem a célebre imaginação de J. R. R. Tolkien (1892-1973), o autor dos livros que deram origem aos filmes, foi capaz de produzir.

Falando nele, o fim da trilogia O Hobbit deixa claro que um dos grandes problemas dos filmes foi a necessidade de expandir passagens que, nos livros, são breves descrições.

 Tolkien está longe de ser unanimidade no meio literário, mas seus diálogos muitas vezes têm densidade poética e boas sacadas – não é à toa que tenham sido usados sempre que possível nos filmes.

Criação

Quando Jackson e companhia são forçados a escrever falas do zero, o resultado fica muito abaixo do “padrão Tolkien de qualidade”.

Apesar disso, duas coisas impedem que o filme seja um triunfo dos orcs. A primeira é Bilbo. O britânico Martin Freeman incorporou de tal maneira a timidez, a autoironia e, lá no fundo, a coragem indomável típica dos hobbits que é difícil não acreditar que ele tenha pés peludos de verdade.

A segunda: preciosos minutos finais em que a história é amarrada com a de O Senhor dos Anéis, de forma surpreendentemente sutil e emocionante, criando a ilusão de um conjunto harmônico, a “hexalogia do anel”. Nem parece que a mesma equipe produziu essa passagem e as duas horas anteriores.

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