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Cinema

Mostra Mestras do Macabro chega ao CCBB com 38 filmes dirigidos por mulheres

Curadoria temática presta três homenagens e investiga o papel das mulheres no cinema de horror

Tamires Rodrigues

30/06/2026 5h00

Atualizada 29/06/2026 22h20

possuída katharine isabelle

Filme “Possuída” (2000). — Foto: Divulgação

A segunda edição da mostra “Mestras do Macabro, As Cineastas do Horror ao Redor do Mundo” começa nesta terça-feira (30) e vai até 2 de agosto no CCBB Brasília, com entrada gratuita. A programação reúne 38 filmes dirigidos por mulheres, entre 28 longas-metragens e 10 curtas, brasileiros e internacionais, e coloca em evidência o protagonismo feminino em um gênero historicamente associado ao olhar masculino.

Em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília, a pesquisadora Beatriz Saldanha, responsável pela curadoria, explicou a diferença entre as duas edições. Segundo ela, a primeira mostra funcionava como uma introdução ao tema, um mapeamento histórico e geográfico do horror feito por mulheres, quase uma proposta de cânone. Nesta edição, o critério passou a ser temático, já que muitas diretoras contemporâneas escolhem deliberadamente tratar de assuntos ligados à experiência feminina no mundo.

encontro com o passado sophie marceau e monica bellucci
Filme “Encontro com o Passado” (2009). — Foto: Divulgação

“Nos filmes de horror feitos por mulheres, sobretudo nos contemporâneos, há uma escolha deliberada de tratar de assuntos relacionados à experiência feminina no mundo”, disse Saldanha, que viu ali a chance de agrupar esses temas e fomentar o debate em torno deles. Essa leitura se conecta a outra afirmação da curadora, a de que o horror é “profundamente feminino”, citando atrizes como Fay Wray, Gloria Stuart e Barbara Steele, sempre no centro das narrativas do gênero.

A pesquisadora cita ainda um dado do Instituto Geena Davis. O horror é o único gênero cinematográfico em que mulheres ficam mais tempo em tela do que homens, somando 53% do tempo de exibição, enquanto em todos os outros gêneros essa proporção fica abaixo da metade. “Basta assistir ao noticiário para ver que a experiência feminina no mundo é permeada pelo horror”, afirmou Saldanha, completando que o cinema pode ser uma forma de exorcizar esses medos.

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Filme “Vida Celeste” (2018). — Foto: Divulgação

Três homenagens marcam a curadoria

Três nomes recebem homenagem especial nesta edição: a videomaker estadunidense Cecelia Condit, referência no horror experimental, a cineasta francesa Marina de Van e a atriz brasileira Gilda Nomacce. Saldanha contou que a ideia partiu da vontade de dedicar uma mostra à parte ao trabalho de uma diretora, e a partir disso passou a procurar cineastas com três ou mais longas de horror na carreira.

Marina de Van surgiu como nome natural. Para a curadora, é uma diretora ousada e talentosa que por muito tempo ficou à sombra de François Ozon, de quem foi roteirista, e seu filme mais conhecido, Em Minha Pele, ganha agora uma edição comemorativa relançada em 4K. Cecelia Condit entra na seleção por outro motivo: Saldanha sempre quis exibir o curta Talvez em Michigan e se descreve como entusiasta do experimentalismo audiovisual, destacando a abordagem da diretora sobre feminicídio como particularmente tocante.

Já Gilda Nomacce completa o trio por seu lugar no cinema brasileiro. Ao lado de Luciana Paes, é um dos rostos mais associados ao horror nacional, segundo a curadora, o que tornava a homenagem praticamente inevitável nesta edição.

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Filme “Criaturas 3” (1991). — Foto: Divulgação

A curadoria também escolheu dar visibilidade a roteiristas, montadoras e fotógrafas, funções que costumam passar mais despercebidas pelo público. Para Saldanha, um filme é sempre obra coletiva, e destacar essas profissionais ajuda a descentralizar a questão da autoria e evitar apagamentos históricos.

A pesquisadora cita o caso de Milicent Patrick, responsável pelo design do Monstro da Lagoa Negra e que permaneceu anônima por décadas. Lembra ainda que a fotografia de Sombrio, de Philippe Grandrieux, tradicionalmente atribuída ao diretor, também foi assinada por Sabine Lancelin.

A seleção dos 38 títulos é fruto de uma pesquisa de mais de dez anos sobre mulheres no cinema de horror, e muitos dos filmes já estavam no radar de Saldanha há tempos. Uma descoberta recente, porém, chamou sua atenção: Hollywood 90028, de Christina Hornisher, é descrito pela curadora como uma das experiências mais impactantes que já teve no cinema. Apesar de tratar de misoginia de forma dura, ela considera o filme urgente por dialogar diretamente com o momento atual.

Questionada sobre por que tantas dessas cineastas permanecem anônimas ou pouco conhecidas, Saldanha apontou para uma cadeia mais ampla de desigualdades. Cita a dificuldade histórica das mulheres em se integrar à produção cinematográfica e o fato de que, na maioria das vezes, são outras pessoas que decidem quais filmes preservar e quais histórias contar. Com a mostra, a curadora espera dar protagonismo às mulheres tanto na frente quanto atrás das câmeras. “Torço para que um dia o recorte de gênero não seja mais necessário”, concluiu.

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Filme “Garota Sombria Caminha pela Noite” (2014). — Foto: Divulgação

Atividades gratuitas completam a programação

Além das sessões, o CCBB Brasília recebe atividades presenciais gratuitas ao longo da mostra. O curso “A abjeção feminina como estratégia de libertação no cinema de horror”, ministrado pela própria Beatriz Saldanha, acontece nos dias 30 e 31 de julho, e a masterclass “Rainha do grito por excelência, técnicas de performance para filmes de horror”, com a atriz Gilda Nomacce, está marcada para 25 de julho.

Já o debate “Horror experimental feito por mulheres”, com as pesquisadoras Juliana Gusman e Julia Maass, ocorre em 8 de julho. A programação ainda traz sessões com bate-papo e recursos de acessibilidade, como a exibição de Love Kills, da diretora Luiza Shelling Tubaldini, em 3 de julho, e de Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, em 2 de agosto.

Programação

Semana 1

Dia 30 de Junho – terça-feira
19h – Hollywood 90028 – 87 minutos – 18 anos

Dia 01 de Julho – quarta-feira
19h – Garota Sombria Caminha Pela Noite – 101 minutos – 18 anos

Dia 02 de Julho – quinta-feira
19h – Mary Mórbida – 103 minutos – 18 anos

Dia 03 de Julho – sexta-feira
19h – Love Kills (Sessão com recursos de acessibilidade via app) – 97 minutos – 16 anos
Após a sessão, bate-papo com a diretora Luiza Shelling Tubaldini – 60 minutos – 16 anos

Dia 04 de Julho – sábado
19h – Evolução – 81 minutos – 18 anos

Dia 05 de Julho – domingo
19h – Censora – 84 minutos – 16 anos

Semana 2

Dia 07 de Julho – terça-feira
19h – Vida Celeste – 113 minutos – 16 anos

Dia 08 de Julho – quarta-feira
19h – Sessão de curtas: o horror experimental de Cecelia Condi – 94 minutos – 16 anos

  • O Monstro Em Mim – 08 minutos
  • Debaixo Da Pele – 12 minutos
  • Talvez Em Michigan – 12 minutos
  • Subúrbios Do Éden – 16 minutos
  • Oh, Rapunzel! – 25 minutos
  • Eu Tinha Medo – 07 minutos

Após a sessão, debate com as pesquisadoras e críticas de cinema Juliana Gusman e Julia Maass – 60 minutos – 16 anos

Dia 09 de Julho – quinta-feira
19h – Em Minha Pele – 95 minutos – 18 anos

Dia 10 de Julho – sexta-feira
19h – Possuída – 108 minutos – 18 anos

Dia 11 de Julho – sábado
19h – Criaturas 3 (Sessão com legenda descritiva disponível via app) – 84 minutos – 14 anos

Dia 12 de Julho – domingo
19h – Vingança Preventiva – 88 minutos – 18 anos

Semana 3

Dia 14 de Julho – terça-feira
19h – A Mulher Dos Ossos – 97 minutos – 16 anos

Dia 15 de Julho – quarta-feira
19h – A Flor Da Felicidade – 105 minutos – 12 anos

Dia 16 de Julho – quinta-feira
19h – Mente Paranoica – 82 minutos – 18 anos

Dia 17 de Julho – sexta-feira
19h – Encontro Com O Passado – 110 minutos – 14 anos

Dia 18 de Julho – sábado
19h – O Vingador Tóxico – 82 minutos – 18 anos

Dia 19 de Julho – domingo
19h – A Maldição De Carrie – 105 minutos – 18 anos

Semana 4

Dia 21 de Julho – terça-feira
19h – O Despertar De Lilith – 80 minutos – 16 anos

Dia 22 de Julho – quarta-feira
18h – Vampira Humanista Procura Suicida Voluntário – 91 minutos – 16 anos

Dia 23 de Julho – quinta-feira
18h – O Cemitério Maldito II – 100 minutos – 16 anos

Dia 24 de Julho – sexta-feira
19h – Possessão – 124 minutos – 18 anos

Dia 25 de Julho – sábado
16h – Masterclass com a atriz Gilda Nomacce – 124 minutos – 16 anos
Distribuição de ingressos a partir das 9h, no site do CCBB ou direto na bilheteria

18h30 – Sessão de Curtas: Homenagem a Gilda Nomacce – 78 minutos – 16 anos

  • Nua Por Dentro Do Couro, de Lucas Sá – 22 minutos
  • O Segredo Da Família Urso, de Cíntia Domit Bittar – 21 minutos
  • Lilith, de Edem Ortegal – 20 minutos
  • 5 Estrelas, de Fernando Sanches – 15 minutos

Dia 26 de Julho – domingo
19h – Pesadelo Final, A Morte De Freddy: A Hora Do Pesadelo 6 – 89 minutos – 16 anos

Semana 5

Dia 28 de Julho – terça-feira
19h – O Lado Sombrio – 90 minutos – 16 anos

Dia 29 de Julho – quarta-feira
19h – Sombrio – 112 minutos – 18 anos

Dia 30 de Julho – quinta-feira
18h – Criaturas 3 (Sessão com legenda descritiva disponível via app) – 84 minutos – 14 anos
20h – Curso com Beatriz Saldanha – Aula 1: A abjeção feminina como estratégia de libertação – 120 minutos – 16 anos
Distribuição de ingressos a partir das 9h, no site do CCBB ou direto na bilheteria

Dia 31 de Julho – sexta-feira
18h – O Lago Da Perdição – 93 minutos – 16 anos
20h – Curso com Beatriz Saldanha – Aula 2: A abjeção feminina como estratégia de libertação – 120 minutos – 16 anos
Distribuição de ingressos a partir das 9h, no site do CCBB ou direto na bilheteria

Dia 01 de Agosto – sábado
16h30 – Atlântico – 106 minutos – 12 anos
19h – (Re)Nascer – 101 minutos – 16 anos

Dia 02 de Agosto – domingo
19h – Virtuosas (Sessão com recursos de acessibilidade via app) – 86 minutos – 16 anos

Serviço
Mostra Mestras Do Macabro (2ª Edição) – As Cineastas Do Horror Ao Redor Do Mundo

Local: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
Endereço: SCES, Trecho 2, Brasília – DF
Data: de 30/06 a 02/08/2026
Programação gratuita com retirada de ingressos no site www.bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB Brasília a partir das 9h do dia da exibição
Capacidade do cinema: 70 lugares (com espaço para cadeirante e assentos para pessoas obesas)
Classificação indicativa: conforme a programação

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