Matheus Cunha entrou no clima da classificação do Brasil e não deixou a vitória sobre o Japão passar sem deboche. Depois do triunfo por 2 a 1, que colocou a Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo, o atacante apareceu em campo com gesto provocativo, como quem manda “abaixar a bola”, e ainda exibiu os cinco dedos, numa referência direta aos cinco títulos mundiais do Brasil.
Eu estava no Cosme Velho completamente enlouquecida com as meninas, uma gritando “eu nunca critiquei Casemiro”, outra querendo canonizar Martinelli na sala e eu quase derrubando uma taça quando saiu o gol nos acréscimos. Mal deu tempo de comemorar direito e já veio a foto de Matheus Cunha fazendo cara de deboche para os japoneses. Minha filha, o Brasil classificou no sofrimento, mas o atacante terminou o jogo no modo: respeita a história antes de falar alto.

A partida foi daquelas que envelhecem a torcida em 15 minutos. O Japão saiu na frente com gol de Sano, após erro de Danilo no campo de defesa, e colocou o Brasil contra a parede no mata-mata. A Seleção Brasileira sentiu o golpe no primeiro tempo, rodou a bola sem muita clareza e viu a disciplina japonesa transformar cada ataque brasileiro em novela longa.
No segundo tempo, Ancelotti mexeu no time, colocou Endrick no lugar do lesionado Lucas Paquetá e bagunçou o sistema defensivo do Japão com quatro atacantes. O Brasil cresceu, pressionou e chegou ao empate com Casemiro, de cabeça, após cruzamento de Gabriel Magalhães. Antes disso, o volante já tinha quase marcado em um lance salvo em cima da linha.
Mas o alívio verdadeiro veio só nos acréscimos. Aos 51 minutos, Gabriel Martinelli apareceu como herói improvável e fez o gol que levou o Brasil às oitavas. Foi o tipo de gol que transforma sofá em arquibancada, adulto em adolescente e gente fina em pessoa batendo panela na janela.
E aí, com a classificação no bolso, Matheus Cunha resolveu temperar a vitória. Nas imagens, o atacante aparece fazendo gesto de “calma” ou “abaixa a bola”, com expressão debochada, e depois mostra a mão aberta, marcando os cinco títulos mundiais da Seleção Brasileira. Um recado visual, sem legenda, mas facílimo de entender: o Japão assustou, jogou duro, saiu na frente, mas quem tem cinco estrelas na camisa ainda sabe aparecer no mata-mata.
O gesto tem aquele veneno que divide opiniões. Para uns, é provocação normal de Copa do Mundo, resposta de quem sobreviveu a um jogo tenso e saiu classificado. Para outros, é marra demais para uma vitória arrancada no último suspiro. Eu, sinceramente, acho que Matheus Cunha escolheu o personagem do dia: o atacante que não fez gol, mas saiu entregando meme pronto para a internet.
A classificação também quebrou um incômodo. O Brasil virou uma partida de mata-mata em Copa do Mundo pela primeira vez desde 2002, quando bateu a Inglaterra na campanha do penta. Ou seja, o gesto dos cinco dedos não veio do nada. Veio carregado de memória, orgulho e aquela arrogância futebolística que o brasileiro tenta esconder, mas só até o gol sair.

Agora, a Seleção Brasileira espera o vencedor de Noruega e Costa do Marfim para saber quem enfrenta nas oitavas, no próximo domingo (5), às 17h. Até lá, o país vai discutir Martinelli herói, Casemiro gigante, Danilo no banco dos réus e Matheus Cunha fazendo cara de quem mandou o Japão baixar o volume.
O Brasil venceu, sofreu, classificou e ainda saiu com deboche em foto. Porque Copa do Mundo, meus amores, não é só bola na rede. É drama, taquicardia, provocação e um atacante lembrando ao adversário que cinco estrelas na camisa não são enfeite de lavanderia.