Anna Beatriz Lisbôa, Especial para o Jornal de Brasília
redacao@jornaldebrasilia.com.br
A programação da mostra Odete Lara, Atriz de Cinema, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), foi temporariamente interrompida para a avant premiére do filme Hanezu, da cineasta japonesa Naomi Kawase, que ganha retrospectiva no local. O longa acaba de sair da competição à Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano.
Até o dia 12 de junho, o CCBB recebe uma retrospectiva de 30 filmes assinados pela cineasta, que levam como marca o olhar sensível da diretora. Praticamente desconhecida no Brasil, Kawase é a mais jovem cineasta a vencer o prêmio Câmera d’Or de Cannes, em 97. Elegante e despretensiosa, a diretora, que completou 41 anos ontem, respondeu às perguntas do público presente após a exibição do filme.
Em Hanezu, Kawase se volta para Nara, sua terra natal. A natureza que rodeia esta antiga cidade, a primeira capital do império japonês, parece ser a principal fonte de inspiração da cineasta, ao contar a história de uma mulher dividida entre dois homens. A vida em Nara não lembra em nada o frenético movimento das principais cidades do Japão. A mulher, Kayoko, se ocupa de tingir lenços, enquanto o marido e o amante vivem dos frutos da terra.
Inspiração no vermelho
Kawase esclareceu que o termo “hanezu” remete à cor vermelha, que permeia vários momentos do longa. “Dizem que é a primeira cor que o ser humano identifica. É a cor do fogo, do sol, do sangue que corre em nossa veias Representa a vida”, pontua a cineasta. O vermelho que, em um primeiro momento aparece vivo como o sangue na água de tingimento usada por Kayoko, vai perdendo o vigor até transformar-se no rosa delicado que colore seus lenços. Esse esvanecimento da cor, segundo Kawase, representa o tempo dissipado, o tempo de espera, que não é respeitado na correria dos dias de hoje. “A espera é algo que o ser humano deve cultivar”, completou.
Os ruídos e as texturas da terra, da chuva, da madeira, dos vegetais parecem interessar à cineasta mais do que as palavras. Kawase mescla o uso de closes intensos e minuciosos à leveza da câmera na mão, em sequências que parecem direcionadas pelo ritmo da natureza. “Quero mostrar o mundo através de meus próprios olhos. Quando coloco a câmera em um tripé, não parece que são meus olhos”, justifica Kawase.
Retrospectiva de filmes da cineasta Naomi Kawase – Em cartaz até 12 de junho. No Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clube Sul). Entrada franca. A classificação indicativa varia de acordo com o filme. Informações: 3310-7087
Confira a programação abaixo:
Nesta quinta
17h30 Caleidoscópio
19h30 Viu o Céu? + Em
Seus Braços + Sombra
20h30 Hotaru
Nesta sexta
17h30 Como a Felicidade + Lua Branca
19h Memória do Vento +
Este Mundo
20h30 A Floresta dos Lamentos
Neste sábado
16h30 Caracol + Sol Poente
18h30 Cartas de Uma Cerejeira Amarela em Flor
20h Shara
Neste domingo
16h In Between days + Koma
18h Suzaku
20h Genpin
Terça-feira – 07 de junho
19h Primeiros curtas*
20h30 Memória do Vento + Este Mundo
Quarta-feira – 08 de junho
19h Como a Felicidade +
Lua Branca
20h30 Caleidoscópio
Quinta-feira – 09 de junho
17h Genpin
19h Shara.
A sessão seguida de mesa redonda com Luiz Carlos Oliveira Jr., Ana Carvalho. Mediação de Carla Maia
Sexta-feira – 10 de junho
17h30 Primeiros curtas*
19h Caracol + Sol Poente
20h30 Cartas de Uma
Cerejeira em flor
Sábado – 11 de junho
17h Gente da Montanha
18h30 Viu o Céu?
+ Em Seus Braços
+ Sombra
20h A Floresta dos Lamentos
Domingo – 12 de junho
14h In Between days + Koma
16h Nanayo
18h Céu, Vento, Fogo, Água, Terra + Nascimento / Maternidade
20h Hotaru
*O programa Primeiros Curtas inclui os filmes
A Concretização das coisas com as quais tento me relacionar de múltiplas maneiras
Agora
Chiisana ôkisa – Uma pequena grandeza
Eu foco aquilo que me interessa
Meu P-Q-V
Minha família, uma única pessoa
O pão de cada dia da menina e,
O sorvete do papai.