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Aulas e recitais na Escola de Música de Brasília ajudam a revelar talentos

Arquivo Geral

07/01/2012 7h06

Michel Toronaga
michel.toronaga@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Quem der uma passadinha na Escola de Música de Brasília (602 Sul) nestes dias vai ter o prazer de conhecer um agradável ambiente tomado pela cultura. Sons dos mais diversos instrumentos ressoam pelos corredores e jardins do local, que recebe, até o dia 21 de janeiro, o 34º Curso Internacional de Verão da Escola de Música, cujos  concertos integram a programação do I Festival Internacional de Artes de Brasília. Além de aprimorar a prática de instrumentos, o evento tem diversificada programação de concertos. Hoje, às 21h, haverá um Recital de Cravo e Flauta Doce com Cláudio Ribeiro e Davi Castelo. A apresentação, no Teatro da Escola de Música, tem entrada franca.

 

Um total de 1.260 pessoas se inscreveram para participar das atividades, sendo que 800 foram selecionadas. Quem informa os números é o diretor da Escola de Música, Ataídes Mattos. “Os cursos mais procurados são os mais populares, como violão, guitarra, bateria e canto”, afirma. Ele cita que os mais eruditos, como alaúde e cravo, são menos requisitados. Mesmo assim, considera a edição deste ano um sucesso. “Esperávamos de 500 a 800 pessoas e o número de inscritos superou esta estimativa”, revela.

 

Um dos motivos pode ser porque este foi o primeiro ano que as inscrições foram gratuitas, feitas pela internet. “Um dos compromissos da educação pública é o acesso. E para os alunos é uma oportunidade de fazer contatos e conhecer pessoalmente professores”, comenta.

 

 

Ambiente familiar

 

Não ter que pagar para se inscrever no curso foi ótima notícia para a dona de casa Cilene Altoé Pimenta. Ela toca baixo acústico e divide a paixão pelas melodias com a família, com quem forma um quarteto: os filhos Vida (violino), Sun (piano e violino) e o marido Eglinson Pimenta (violoncelo). Todos vieram de Formosa (GO) para estudar. “Fiz o curso há 16 anos e estou de volta com o mesmo professor, Hans Roelofsen Bussum”, diz, sobre o holandês que dá aulas de baixo acústico. “Ele é ótimo e adoro as aulas. Ele explica até você aprender mesmo”, elogia.

 

 

Cilene diz que a experiência de praticar o dia inteiro é tudo o que ela pediu. A família  está hospedada nos alojamentos fornecidos gratuitamente pela Escola de Música. As refeições diárias também foram cedidas. “Meu sonho foi realizado porque sempre quis morar na Escola de Música”, conta. “Moramos em Formosa, mas alugamos uma kit em Sobradinho só para ficarmos mais próximos da escola. Mesmo assim, a gente teria que pagar R$ 300 de passagem de ônibus para vir para cá durante o curso.”

 

A família Altoé Pimenta estuda na Escola de Música. “Acredito na educação diversificada, com formação mais ampla”, defende Eglinson, que começou no violoncelo em 1976. Além de ensinar conceitos de filosofia e xadrez, incentivou os filhos a estudarem música desde cedo. Depois deixou que eles decidissem se iam continuar ou não. O primeiro instrumento que o filho Sun tocou, por exemplo, foi a flauta doce, aos quatro anos. “Quero me formar em piano e violino, tocar na Orquestra Sinfônica de Brasília e ser professor aqui na Escola”, sonha o garoto. Prova que o talento e paixão pela música está no sangue.

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